quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Promotoria pede fim de contrato do Metrô



Para Ministério Público Estadual, existe 'vício de ilegalidade' na licitação da obra de extensão da linha 5-lilás
Pedido ocorre após a Folha antecipar, em 2010, os vencedores da disputa; Metrô tem 30 dias para se manifestar

ALENCAR IZIDORO
DE SÃO PAULO

O Ministério Público Estadual recomendou ao Metrô de São Paulo a anulação dos contratos de extensão da linha 5-lilás por "vício de ilegalidade".
A Promotoria deu 30 dias para que sejam tomadas as providências pelo presidente da estatal, Sérgio Avelleda. O pedido é decorrente das investigações a partir do documento com firma reconhecida em cartório pela Folha em abril de 2010 antecipando os vencedores da disputa.
Além de indícios de formação de cartel, a Promotoria contesta as regras do edital de licitação feito pelo Metrô. Ela diz que "foram estabelecidas cláusulas que induziram a divisão de lotes" entre empresas e consórcios, "especialmente" a previsão de que cada interessado poderia vencer somente um lote.
Segundo os promotores, testemunhas citaram uma possível economia de R$ 300 milhões se houvesse outros critérios de contratação. O prolongamento da linha 5 prevê a ligação entre Chácara Klabin e Adolfo Pinheiro. A decisão de liberar a assinatura dos contratos foi tomada pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) há três meses.
Na prática, a anulação da concorrência também levaria à suspensão da construção. O Metrô diz que vai analisar a recomendação, mas que "tem plena convicção da decisão de continuar as obras". 
Atualmente as empresas contratadas aguardam autorização para demolir imóveis. A previsão é que a extensão da linha 5 só esteja totalmente concluída em 2015.
O presidente do Metrô não é obrigado a obedecer a recomendação da Promotoria. Em caso de recusa, porém, ele poderá ser alvo de ação judicial, sob a acusação de improbidade administrativa com dano ao patrimônio público. O valor dos contratos totaliza R$ 4 bilhões. A recomendação do Ministério Público foi assinada por quatro promotores: Marcelo Milani, Silvio Marques, Marcelo Daneluzzi e Luiz Ambra Neto.

PERÍCIA
A decisão da Promotoria foi tomada após perícia pedida por ela ter confirmado a autenticidade do documento da Folhaantecipando os ganhadores dos lotes de 2 a 8.
O presidente do Metrô, Sérgio Avelleda, recebeu a recomendação após prestar depoimento na tarde de ontem. Ele disse aos promotores, que, apesar de as regras da licitação terem permitido vencedores, em alguns lotes, com preços mais caros que os de concorrentes, não podia invalidá-la porque "elas já haviam sido apreciadas judicialmente". 
Para ele, "talvez não haveria economia" se a concorrência tivesse regra diferente - permitindo que uma empresa ganhasse mais de um lote. 
O presidente do Metrô diz que a decisão de assinar os contratos foi tomada após reuniões com Jurandir Fernandes, secretário dos Transportes Metropolitanos, e outras autoridades estaduais. Mas a responsabilidade, diz ele, é da diretoria do Metrô.
Em postagens anteriores tanto o blog Se a Radio Não Toca quanto o Vi o Mundo, já tinham alertado para o “vício de ilegalidade” na licitação da obra como constata agora o Ministério Público.


Decreto do executivo autoriza aumento de 12% na passagem de ônibus em São Roque


A partir de amanhã, 01/09, o usuário do transporte coletivo em São Roque terá uma 
surpresa desagradável.  
A passagem de ônibus terá um aumento de 12%, passando de R$ 2.50 a R$ 2.80.
O aumento foi autorizado através de decreto do executivo.
O trabalhador passa a gastar R$ 24,00 a mais em seu orçamento.  Vale salientar que
 nos últimos meses a taxa inflacionária variou em 6,87% até julho.

Região: Municípios pedem investimentos em saúde e transportes para 2012



Cidades querem mais leitos hospitalares e melhores condições para estradas

Giuliano Bonamim
      giuliano.bonamim@jcruzeiro.com.br

Mais investimentos em saúde e transporte foram os principais pedidos feitos por representantes de 26 municípios da região administrativa de Sorocaba à Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo. A apresentação das solicitações ocorreu durante uma audiência pública realizada ontem de manhã no auditório da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA).  Os ofícios entregues ao governo estadual solicitam o aumento de leitos em hospitais, soluções para a implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), um maior repasse e uma melhor estruturação na área da saúde. Os representantes dos municípios também reivindicam o asfaltamento, o recape, a duplicação e uma melhor sinalização em estradas e rodovias da região. 

Segundo Maurício Hoffman, assessor técnico da Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo, o objetivo da assembleia é identificar as principais potencialidades e demandas da região e fazer com que o orçamento possa ajudar a promover o desenvolvimento e a qualidade de vida do cidadão. "O indivíduo constrói os seus sonhos na região onde mora, por isso é adequado que o Estado organize a sua ação de planejamento em nível regional para oferecer uma melhor qualidade de vida", diz Hoffman. O assessor técnico ressalta que dificilmente todos os pedidos serão atendidos. "Vamos agrupar as demandas em programas orçamentários e tentar beneficiar o maior número de municípios", comenta. 

De acordo com o deputado estadual Hamilton Pereira (PT), presente na audiência pública, o orçamento do Estado de São Paulo previsto para 2012 é de aproximadamente R$ 160 bilhões. "O valor tem crescido na faixa de 10 a 15 por cento anualmente, por isso temos essa expectativa", comenta. Neste ano, a quantia é de R$ 140 bilhões. Pereira diz que a constituição determina que o governo do Estado envie à Assembleia Legislativa a peça orçamentária relativa ao ano subsequente até 30 de setembro. "Daí temos até dezembro para apresentar emendas, debater e votar o orçamento de 2012", relata.

Os poderes Legislativo e Executivo dos 79 municípios, integrantes da região administrativa de Sorocaba, foram convidados para a assembleia. Apenas 26 estiveram presentes, entre eles de Alambari, Alumínio, Apiaí, Araçariguama, Boituva, Botucatu, Campina do Monte Alegre, Capão Bonito, Capela do Alto, Cerquilho, Cesário Lange, Coronel Macedo, Guareí, Ibiúna, Itapetininga, Itaporanga, Pereiras, Piedade, Pilar do Sul, Piraju, Porangaba, Porto Feliz, Quadra, São Manoel, São Roque e Sorocaba.

O prefeito de Pereiras, Roberto Luiz Silveira (PSDB), aproveitou a ocasião para apresentar um projeto de mais repasse para o setor de agropecuária. "A cidade é voltada à avicultura e não recebemos nenhum incentivo do governo do Estado para custear o salário dos profissionais ligados à área, o que nos impede de melhorar a nossa capacidade de produção", diz. Já o prefeito Cláudio Maffei (PT), de Porto Feliz, voltou a pedir a não instalação de um presídio na cidade. "O nosso município tem característica turística e não quer um local para abrigar presos", comenta.

A questão da saúde foi levantada pelo presidente da Câmara de Vereadores de Cerquilho, Wagner Alcides Bellucci, que pediu a implantação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na cidade. "A ideia é formar uma micro-região com Cerquilho, Tietê e Boituva e receber investimentos do governo", relata. "Atualmente, o nosso sistema de saúde infelizmente é obrigado a escolher quem vai morrer ou sobreviver por falta de vagas e equipamentos", completa. 

Os representantes das 79 cidades da região administrativa de Sorocaba podem encaminhar até 10 de setembro os seus pedidos e demandas ao governo do Estado. O processo deve ser feito pelos sites www.planejamento.sp.gov.br ouwww.saopaulo.sp.gov.br.

Luis Cláudio é o novo diretor do Conjunto Hospitalar


Médico estava atuando como interventor na unidade de saúde que é referência na região



Médico durante passagem na Câmara: nomeação se deu no sábado
Agência BOM DIA
O interventor do CHS (Conjunto Hospitalar de Sorocaba), Luis Claudio de Azevedo, assumiu também a direção do hospital, conforme decreto do governador Geraldo Alckmin, publicado no sábado,  na Imprensa Oficial do Estado. De acordo com o decreto, ele passa a assumir a diretoria técnica da unidade de saúde, com a exoneração de Sidnei Nassif Abdala.
Na opinião do presidente da Câmara, vereador Marinho Marte (PPS), a medida garante mais autonomia ao interventor, que, segundo ele, precisa tomar as providências necessárias com o objetivo de corrigir os problemas da instituição.
Marinho Marte lembrou que o médico Luis Claudio de Azevedo esteve na Câmara em 9 de agosto, respondendo aos questionamentos dos parlamentares na sala de reuniões da Casa.
O presidente da Câmara espera que com a nomeação de Luis Cláudio ao cargo de diretor haja maior abertura do Conjunto Hospitalar para o Legislativo. Ele também pretende agendar uma visita dos vereadores à unidade.

Velocidade na Raposo Tavares em Sorocaba pode mudar


A mudança foi estudada pela Polícia Rodoviária que encaminhou à concessionária
Da Redação/TV Tem


 

Os moradores de Sorocaba já se acostumaram. O trecho urbano da Rodovia Raposo Tavares é considerado praticamente uma grande avenida que facilita o acesso à muitos bairros. Os motoristas usam a rodovia pra desviar do trânsito pesado da cidade. Mas muitos reclamam da sinalização e dos radares, principalmente no quilômetro 99. No fim de semana, um acidente no trecho provocou a morte de três pessoas. Mas a proposta agora é mudar os limites de velocidade no local.

A Polícia Militar Rodoviária quer mudar os limites de velocidade na Rodovia Raposo Tavares em Sorocaba. 100 km para carros de passeio, 80 km para veículos pesados. O pedido foi encaminhado a concessionária que administra a rodovia com base nos acidentes registrados nos últimos meses. 110 km por hora. Essa é a velocidade máxima permitida na maior parte da rodovia.

De acordo com a Polícia Rodoviária, no trecho do km 99 da Raposo Tavares, somente neste ano já foram registrados 67 acidentes. Na tarde desta terça-feira (30), a polícia fez uma reunião com a concessionária que administra a rodovia para discutir reforço na sinalização e novos limites de velocidade na rodovia.

A Viaoeste, concessionária que administra a Rodovia Raposo Tavares, informou que a sinalização no local do radar, é adequada, com placas e tachões no solo para reduzir a velocidade, mas vai reforçar os avisos aos motoristas conforme o pedido feito pela Polícia Rodoviária. A empresa afirma que o radar foi instalado no km 99 seguindo um estudo feito pelo Departamento de Estradas de Rodagem. O equipamento vai ser mantido no local

Médicos sorocabanos vão parar atendimento a 15 planos de saúde



Sociedade Médica de Sorocaba salienta que a manifestação não interromperá atendimentos de urgência e emergência
Da Redação, com assessoria

A Sociedade Médica de Sorocaba anunciou paralisação programada pela categoria de convênios médicos particulares a partir desta quinta-feira, dia 1° de setembro. Ao todo, 15 planos de saúde terão atendimento paralisado, sendo eles: Alianz, Amil, Apas, Bradesco Saúde, Engepron, Funserv, Fusex, Intermédica, Mediplan, Mediservice, Multicare, Notre Dame, Sanamed, Santa Casa Saúde e SulAmérica.


A paralisação programada foi definida durante assembléia geral realizada no último dia 25 de agosto, na sede da Sociedade Médica de Sorocaba. Na ocasião, foi discutida a qualidade do atendimento médico por meio dos planos de saúde e, além disso, foram analisadas as respostas dadas pelas operadoras às reivindicações da classe médica.


Segundo Dr. Eduardo Luís Cruells Vieira, diretor da entidade, do Centro Avançado de Ortopedia e do Hospital Santa Lucinda, o movimento não se trata de uma greve, mas, sim, de interrupções pontuais dos atendimentos, de acordo com as especialidades médicas em dias específicos. "A maioria dos convênios sequer deu uma resposta ou mostrou-se interessada em negociar. Assim, serão penalizados os convênios que já haviam sido definidos pela Associação Paulista de Medicina (APM), acrescidos dos que atuam localmente e não negociaram", explicou.


De acordo com o presidente da Sociedade Médica, Jefferson Delfino, o movimento não prejudicará o usuário e os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos. "As pessoas precisam saber que existem convênios que cobram caro do paciente e não repassam os valores para os médicos, impedindo a qualidade do atendimento. Alguns planos apostam que os médicos irão aceitar os honorários que eles pagam", frisou.


Conforme o Departamento de Defesa Profissional da APM, a meta é que os planos sejam reajustados, progressivamente, até R$ 60 em dezembro de 2011, chegando a R$ 80 em 2012.


"Hoje em dia, é quase impossível manter um consultório próprio porque, ao contrário dos custos que aumentam a cada ano, nos últimos 10 anos, os repasses, tanto das consultas, como dos procedimentos, se mantiveram no mesmo patamar e o maior prejudicado é o usuário", argumentou o Dr. Eduardo Vieira.


As interrupções serão no mês de setembro e seguirão a seguinte sequência de especialidades:


01 a 03 - Ginecologia e Obstetrícia


08 a 10 - Otorrinolaringologia


14 a 16 - Pediatria


16 a 19 - Cardiologia


19 a 20 - Ortopedia e Traumatologia


21 a 23 - Pneumologia e Tisiologia


28 a 30 - Cirurgia Plástica


Entenda o pleito da classe médica


Em 7 de abril deste ano, o atendimento médico por meio dos convênios de saúde foi paralisado em todos os Estados do Brasil, mobilizando em torno de 160 mil médicos.
 

Sorocaba também participou da manifestação, criada para chamar a atenção da população em relação às condições de trabalho dos médicos no sistema privado de Saúde e a diferença nos reajustes dos valores destinados às consultas e serviços de atendimentos praticados pelos profissionais em comparação ao aumento das mensalidades e do faturamento do setor. Nos últimos sete anos, segundo dados do Conselho Federal de Medicina, a captação das operadoras cresceu 129%, contra 44% de reajuste no valor das consultas. Em Sorocaba, a manifestação contou, ainda, com uma audiência pública na Câmara Municipal

Ex-prefeito do PT é acusado de desvio de R$ 46 milhões


Folha de S.Paulo
Brasília - O Ministério Público de São Paulo denunciou um esquema que pode ter desviado R$ 46 milhões dos cofres da Prefeitura de Santo André para uma ONG durante a gestão petista de João Avamileno.
Ele administrou a cidade de 2002 a 2008, logo após o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel, também do PT.
O Ministério Público afirma que a ONG Castanheira foi criada dentro da prefeitura e causou uma "sangria de recursos" públicos.
A Promotoria cobra a restituição de R$ 168 milhões à cidade --sendo R$ 112 milhões em multas e indenizações.
O promotor Renato de Cerqueira Cesar Filho apresentou à Justiça, em julho, uma ação de improbidade administrativa contra 11 pessoas.
Além de João Avamileno, aparece na lista o nome da ex-secretária de Educação Cleuza Rodrigues Repulho.
Após deixar a prefeitura, ela foi nomeada para um cargo de confiança no Ministério da Educação, na gestão de Fernando Haddad.
E, atualmente, é secretária de Educação da Prefeitura de São Bernardo, comandada por Luiz Marinho (PT-SP).
Esquema
O promotor diz que a Secretaria de Educação repassava verbas para a ONG via convênios, para serviços que não eram comprovados.
Além disso, diz que muitas empresas subcontratadas pelo instituto pertenciam a familiares de diretores da ONG. Duas eram registradas no mesmo endereço da casa do presidente e da própria sede da ONG.
O Ministério Público afirma haver indícios de que o dinheiro foi desviado com o conhecimento e o aval de Avamileno e de Cleuza.
A primeira presidente do Instituto Castanheira era vizinha da secretária.
Com menos de um ano de existência, a organização foi contratada para serviços variados como atendimento psicossocial a adolescentes e qualificações de professores.
"Causou-nos incomum estranheza o fato de ter a Prefeitura levado a efeito convênios de tão grande substância com um instituto criado havia menos de um ano e que, por isso, não detinha experiências anteriores", escreveu o promotor na ação judicial.

Alunos passam mal e ficam sem aula após dedetização



Fernanda Barbosa e Aline Mazzo
do Agora
A dedetização de duas escolas estaduais em Embu-Guaçu (Grande SP) no fim de semana levou alunos e professores ao hospital e suspendeu aulas por pelo menos dois dias.
O cheiro forte do veneno utilizado ficou impregnado nas escolas Maria André Schunck e Seminário, no distrito do Cipó.
Uma professora que pediu para não ser identificada afirma ter sentido dor no peito, falta de ar, ardência nos olhos e tremedeira nas pernas.
"Colegas me deram remédio, mas ainda estou com dor de cabeça", diz.
De acordo com professores, mais de dez pessoas foram levadas ao pronto-socorro, medicadas e liberadas.
A prefeitura confirma o atendimento de apenas dois pacientes no pronto-socorro Cipó: um docente de 42 anos e um aluno de cinco.

Aumenta superlotação na linha rubi

Fernanda Barbosa
do Agora
O desconforto para chegar à capital aumentou. Principal ligação com cidades-dormitório da zona noroeste da região metropolitana, os trens da linha 7-rubi --a mais lotada da CPTM-- concentram mais de oito passageiros por m² no horário de pico, segundo dados da empresa.
Em média 8,4 pessoas se espremem no espaço, pela manhã, sobre os trilhos que começam em Jundiaí (58 km de SP) e passam por Francisco Morato, Franco da Rocha e Caieiras (Grande SP).
O desconforto é considerado extremo quando há mais de seis passageiros por m².

Investigação irrita aliados de Alckmin


FABIO LEITE 
Fiel aliado do governador tucano Geraldo Alckmin, o presidente estadual do PSDB, Pedro Tobias, diz não descartar que o prefeito Gilberto Kassab soubesse antecipadamente de investigação da Corregedoria do Município que apontou que empresa de familiares da primeira-dama, Lu Alckmin, falsificou documentos para fraudar em R$ 4 milhões o pagamento de tributos municipais. A denúncia irritou os alckmistas.
 “Pode ter dedo do prefeito”, afirma Tobias sobre a acusação feita anteontem pelo corregedor-geral da capital, Edilson Bonfim, responsável pela investigação sobre supostas fraudes no recolhimento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e de títulos de outorga onerosa (para construir acima do limite legal).
“Negócio de IPTU, de ligação com a Prefeitura. Pode ser (influência de Kassab). Tudo é possível”, diz Tobias. Embora desconfie da denúncia, o tucano e deputado estadual diz defender a apuração do caso e punição de culpados. “Se é verdade e não tem armação de Kassab. Se alguém da família errou, vai pagar o erro dele”.
Fraude e conspiração
Segundo a Corregedoria, a fraude teria ocorrido no edifício Royal Street, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona sul, que pertence à Wall Street Empreendimentos e Participações. A empresa tem como sócios Adhemar Cesar Ribeiro Filho e Maria Paula Abreu Cesar Ribeiro, respectivamente filho e mulher de Adhemar Ribeiro, irmão de Lu Alckmin. A empresa não se manifestou sobre o caso.
Na empresa, funcionários afirmam que Adhemar, cunhado de Alckmin, é o dono da Wall Street – na época da fraude ele ainda seria sócio da empresa e hoje atua como procurador da firma. Só de contrapartida para autorizar ampliação no edifício, a empresa teria deixado de pagar R$ 4 milhões. O problema é que técnicos da Secretaria de Habitação controlavam apenas visualmente se guias apresentadas por construtoras estavam pagas e não checavam com os servidores da Secretaria de Finanças se o pagamento havia sido efetuado. Até agora, dez construtoras obtiveram autorização para 23 empreendimentos e desfalcaram os cofres públicos em R$ 50 milhões (em valores atuais).
Um tucano com trânsito entre alckmistas e aliados do ex-governador José Serra (PSDB), padrinho político de Kassab, lembra que o atual secretário municipal de Finanças, Mauro Ricardo, foi preterido por Alckmin no novo governo. Ricardo era o titular da titular da Fazenda na gestão Serra. “Todo mundo sabe que os dois nunca se deram”, afirma.
Procurada, a Prefeitura informou que não comentaria as declarações de Tobias. Pela manhã, Kassab disse que desconhecia o fato de que um dos investigados ser cunhado de Alckmin. “Eu mesmo nem sabia que ele era o procurador, ou o proprietário. E não estou participando nesse processo. Após duelarem pela Prefeitura em 2008, Kassab e Alckmin podem ser rivais de novo, em 2012, na disputa pelo governo.
Firmas informam mesmo prédio como sede
A Wall Street, empresa ligada a familiares da primeira-dama do Estado, Lu Alckmin, informou à Junta Comercial que sua sede fica no 12º andar de prédio na Avenida Nove de Julho. Declarou funcionar no mezanino do mesmo edifício a Humanitas, empresa criada por Geraldo Alckmin no final de 2006.
A assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes informou que “a empresa Humanitas deixou de exercer suas atividades em 2009, antes mesmo da posse do governador Geraldo Alckmin”. E que “apuração da Corregedoria-Geral do município de São Paulo não tem qualquer relação com o Governo do Estado.” Mas não informou se o imóvel declarado como sede da Humanitas pertence à firma ou a terceiros.
Colaborou Felipe Frazão

Greve no serviço funerário recorre a GCMs


Por Caio do Valle e Tiago Dantas
Pela segunda vez no ano, funcionários do Serviço Funerário da cidade de São Paulo entraram em greve ontem, levando a Prefeitura a improvisar e deslocar agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para fazer o transporte dos corpos até os cemitérios. A fila para a liberação dos cadáveres cresceu ao longo do dia, causando sentimento de revolta nos familiares. Muitos tiveram de aguardar várias horas só para conseguir o traslado rumo ao velório. Outros enterros precisaram ser cancelados. Nos cemitérios, faxineiros e servidores da área administrativa ajudaram nos sepultamentos.
O encarregado de obras Diego Alves de Farias, de 23 anos, que à tarde esperava o envio do corpo do pai – morto na madrugada de segunda-feira – para o Cemitério da Vila Alpina, na zona leste, não se conformava com a situação. O corpo ainda estava no Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), em Pinheiros, na zona oeste. “Vou ter que desmarcar o velório, mesmo com toda a família já esperando lá.” O aposentado José Inhesta Martim, de 85 anos, que perdeu a mulher de 86, anteontem, não tinha perspectivas. “Não deram nenhum prazo. Não apareceu ninguém nem para pegar a roupa que ela vai usar no caixão.”
A demora se dava em parte porque os GCMs encarregados de transportar os corpos do SVO para os cemitérios não conheciam os procedimentos padrões do serviço. Os guardas também buscavam os mortos nos hospitais, dirigindo os carros do Serviço Funerário. “Não estamos acostumados com isso”, disse um dos agentes. Segundo ele, em torno de 70 homens foram deslocados para esse serviço. O número não foi confirmado pela Prefeitura. Outro GCM afirmou que deixou de fazer sua ronda habitual em bairros da zona norte devido à greve.
Os funcionários do Serviço Funerário exigem um reajuste de 39,79%, referente ao período entre 2004 e 2010, além de mudança na lei salarial. “Nossa pauta de reivindicações foi entregue em fevereiro e até agora não responderam nada”, afirma Irene Batista de Paula, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias do Município de São Paulo (Sindsep). Ela diz que houve uma reunião com a Prefeitura ontem à tarde, mas nenhum secretário apareceu. Hoje, ela prevê um “comando de greve” para mobilizar servidores de outras áreas.
Em nota, a Secretaria Municipal de Serviços, responsável pelos enterros e traslados de corpos na capital, informou que lamenta, “considera inadmissível e repudia a paralisação” dos servidores. Não foi informado quantas pessoas aderiram à paralisação. Ainda segundo a pasta, a greve “é considerada ilegal pela Justiça, por tratar-se de serviço essencial” e, apesar dos transtornos, “os serviços não foram afetados”. A secretaria informou que “sempre manteve canal aberto para dialogar com os representantes dos servidores”. O secretário Dráusio Barreto foi procurado pela reportagem, mas não quis conceder entrevista.
A Prefeitura não divulgou quais foram os cemitérios mais afetados. No do Araçá, na zona oeste, funcionários de uma empresa terceirizada de limpeza auxiliaram nos dez sepultamentos do dia. Cerca de 150 enterros são feitos na cidade diariamente. Ao todo, há 1.366 funcionários no Serviço Funerário

Carros roubados eram revendidos em ‘promoção’


CAMILLA HADDAD
Um esquema sofisticado para clonar carros de luxo foi descoberto nesta terça-feira na capital por policiais civis. Nove integrantes da quadrilha foram presos e 15 veículos seminovos de marcas como BMW, Land Hover e Honda foram apreendidos com placas e chassis adulterados. A ação foi comandada pelo 7.º Distrito Policial (Lapa). A delegacia é líder no ranking de registro de roubos e furtos de veículos na capital.
Após serem encomendados muitas vezes via celular, os veículos iam parar em bairros de São Paulo e em cidades do Paraguai. O delegado titular do 7.º DP, Rubens Barazal, ficou impressionado com a infraestrutura que havia na casa de um dos detidos, na zona sul. Na garagem, ele tinha uma oficina equipada com uma espécie de “kit adulteração”, onde armazenava ácido para mudar chassis, formulários para fazer novos documentos e peças para alterar o motor e placas dos carros.
Em um dos imóveis, um Honda Civic prata estava pronto para ser entregue ao comprador. Segundo Barazal, a investigação começou há cerca de três meses. Inicialmente, o alvo a ser averiguado era Leonardo Rodrigues, de 29 anos, conhecido como Peralta.
De acordo com Barazal, ele seria ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e tinha a função de recolher dinheiro para a facção criminosa.
No meio da investigação é que foi possível chegar aos outros comparsas de Peralta. “A partir disso, pedimos para a Justiça prisões temporárias e mandados de busca”, disse o delegado. A maioria dos detidos tem passagem por crimes contra o patrimônio, principalmente receptação de carros roubados. As prisões foram feitas na Vila Santa Catarina e Água Funda, zona sul, em Barueri, Grande São Paulo, e na zona leste.
Estacionamento
A Rua Camillo, na Lapa, zona oeste, endereço da delegacia, virou um estacionamento na tarde desta terça. Os carros de luxo, com capôs abertos, ficaram estacionados à espera de vítimas de clonagem e de roubo e também de seguradoras. Os carros despertaram curiosidade da vizinhança.
Até as 15h, duas vítimas estiveram no DP: um empresário, que se apresentou como dono de uma Range Rover cinza furtada, e outro, que disse ser proprietário de uma BMW, que foi roubada. Nenhum dos dois quis dar entrevista. Já as vítimas de clonagem compareceram no DP em maior número.
O próximo passo, diz Barazal, é que os carros passem por perícia para detectar sua origem e onde foram roubados e furtados.
Barazal espera ainda chegar a outros compradores, que serão investigados. “É muita desproporção de preço e eles devem saber isso. Uma Land Hover de R$ 300 mil era vendida a R$ 40 mil”, afirma. “Se não existissem os receptadores, as quadrilhas não teriam sucesso nisso.”
Resta ainda prender pelo menos dois integrantes do bando. O grupo todo fazia as transações de venda por encomenda e pessoalmente. O delegado comentou que em trechos de escuta telefônica, “compradores” perguntam se o “vendedor” tem um carro da marca Porsche. Em outra gravação, eles perguntam quais os modelos estão disponíveis para “venda”.