segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Ibiúna volta ao rol dos municípios inadimplentes


Novo secretário diz estar tentando de todas as maneiras recuperar a CND
Jornal do Povo/Ibiúna
Ibiúna perdeu novamente a Certidão Negativa de Débitos (CND) – uma espécie de SCPC dos municípios – e está impedida de receber diversos recursos dos governos estadual e federal. O problema foi o principal destaque da Audiência Pública da Comissão de Finanças e Orçamento, realizada nesta quinta-feira (26) na Câmara Municipal. Durante os debates, foi levantado que a dívida total da prefeitura é de aproximadamente R$ 85 milhões, sendo este rombo acumulado nos últimos 15 anos.
A audiência foi presidida pelo vereador Leôncio Ribeiro da Costa (PDT) e contou com a presença do secretário Municipal de Finanças, César Ossamu Anno e do contador Cleiton Fernandez, além de vereadores, imprensa e outros munícipes.
O secretário de finanças informou que está se dedicando ao máximo para reativar a CND. “O rombo com o INSS é muito grande, pois somente neste ano estamos devendo R$ 9 milhões. Foi feito um parcelamento em janeiro, pagaram a primeira parcela, mas as demais tentaram fazer compensações através de um escritório de advocacia, que não passou de uma farsa. Em julho, o acordo foi cancelado e, em agosto, a certidão negativada novamente. O maior problema é que nem o INSS sabe ao certo quanto é a dívida total do município, uma vez que não foram geradas nem as guias nos anos de 2011 e 2012. Uma falha muito grave que estamos tentando regularizar”, declarou César.
Sem a CND, o município fica impedido de firmar convênios para receber emendas e outros recursos, sendo que alguns já estão estourando o prazo para entrega de documentação e podem ser cancelados.
O vereador Pedrão da Água (PTB) questionou qual o valor real da dívida do município e também pediu aos presentes que informassem quem são os auditores que estão realizando a tão comentada auditoria feitas nestes primeiros dias de governo Fábio Bello (PMDB).
O contador Cleiton informou que nunca dá para se saber ao certo o valor dos débitos, uma vez que a cada dia aparecem novas contas a pagar, como ações judiciais, convênios que não foram prestados contas e a prefeitura precisa reembolsar, além de outras cobranças. “Acreditamos que continua em torno de R$ 85 milhões, como foi anunciado no inicio do ano. Só de restos a pagar, que são fornecedores ou prestadores de serviço que não receberam, a prefeitura deve mais de R$ 37 milhões. Isso sem contar INSS (quase R$ 40 milhões no acumulado dos anos), FGTS, precatórios e outras dívidas”, declarou Cleiton.
Outro problema grave é a folha de pagamento, que está consumindo mais de 57% do orçamento, sendo que o máximo permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal é 52%. “Não se pode contratar mais para não agravar a situação. Além disso, também já foi atingido os 30% de remanejamento do orçamento, sendo que para alterá-lo será necessária a aprovação dos vereadores”, alertou o contador. Ele informou ainda que de janeiro a agosto de 2013, a prefeitura empenhou R$ 74 milhões, dos quais pagou R$ 62 milhões, sendo que muitas destas contratações já foram contabilizadas até dezembro, o que torna a situação controlável. “São prestações de serviço que foram contratadas até o final do ano e a prefeitura vai pagando gradativamente, conforme o serviço é executado. Já as dívidas dos anos anteriores, o prefeito Eduardo não pagou quase nada no tempo em que esteve na prefeitura, sendo que o primeiro precatório iria ser acertado em setembro, mas foi adiado diante da mudança na administração”, explicou Cleiton.
Leôncio solicitou que o balancete e os documentos sobre a contabilidade da prefeitura sejam enviados com pelo menos quinze dias de antecedência da reunião para que possam ser analisados mais detalhadamente pelos vereadores. “Não tem como a gente analisar números tão complexos em quinze minutos. Espero que nas próximas reuniões os documentos venham a esta Casa com antecedência e mais claros para que possamos entender melhor”, finalizou o presidente da Comissão.

Uma escola é furtada a cada 15 dias


Desde janeiro 28% das instituições de ensino da rede municipal foram alvo da ação de vândalos e bandidos


Carolina Santana 
carolina.santana@jcruzeiro.com.br
 

De acordo com dados da Polícia Militar até o início de setembro Sorocaba somava 57 furtos à escolas estaduais e municipais e pelo menos outras três ocorrências foram registradas nos últimos dias em unidades de ensino da cidade. Tendo como base o número oficial a média é de uma ocorrência a cada 15 dias. Desde janeiro 28% das escolas municipais foram furtadas na cidade. De acordo com a Secretaria de Educação 37 das 132 escolas municipais foram alvo de bandidos durante o ano. 

Em Sorocaba são são 100 Centros de Educação Infantis, 80 escolas estaduais e mais 53 escolas municipais. Computadores e aparelhos eletrônicos são os principais alvos dos bandidos que chegam a levar torneiras, material didático e até a merenda das crianças. Para coibir as ações de bandidos, todas as escolas municipais devem receber câmeras de segurança. O prazo de implantação dos equipamentos ainda não foi definido pois o serviço de videomonitoramento de prédios municipais está em licitação. A Secretaria do Estado da Educação também foi questionada sobre as ocorrências, mas não quis se manifestar sobre o assunto. 

Na madrugada de sexta-feira a escola Municipal Flávio de Souza Nogueira, no Jardim Ferreira, foi invadida por bandidos que tentaram levar uma televisão 42 polegadas, duas máquinas fotográficas e um celular. Os assaltantes, um rapaz de 19 anos e um homem de 34, foram presos em flagrante pela Guarda Municipal. Para entrar na escola a dupla quebrou os vidros da porta, o que fez o alarme disparar. 

Videomonitoramento 

De acordo com a Secretaria de Educação, das escolas municipais, 20 são parcialmente vigiadas pelo sistema de videomonitoramento da Guarda Civil Municipal. Essas unidades são as que contam com prédios do Sabe Tudo. Ainda de acordo com a Prefeitura uma licitação está em andamento para a contratação de uma empresa que ficará responsável pela implantação de videomonitoramento em todos os prédios municipais que têm atendimento ao público. Essa medida também contempla as escolas municipais. 

Cada escola e próprio público receberá entre cinco e 12 câmeras de segurança. Todos os equipamentos estarão integrados ao sistema de videomonitoramento da Guarda Civil Municipal. Apesar de questionada a Prefeitura não informou qual seria o valor pago pelo serviço. A data prevista para o início do serviço também não foi informada. Esse sistema de segurança, porém, vai atender apenas as escolas municipais. 

A Secretaria do Estado da Educação foi questionada sobre o alto índice de furtos na cidade e o que está sendo feito para levar mais segurança as instituições de ensino sob responsabilidade do Estado. A reportagem ainda questionou o número de furtos ocorridos às escolas estaduais e o valor do prejuízo dado aos cofres públicos. Nenhuma dessas perguntas foi respondida. 

Computadores e torneiras 

Notebooks, computadores, máquina fotográfica, projetores e impressoras foram levados do Centro de Educação Infantil Helio Del Cistia Júnior (CEI 90) no início do mês. Os ladrões entraram pelos fundos da escola e, por conta dos danos, as aulas dos 350 alunos do período matutino ficaram suspensas por um dia levando transtorno aos pais que não tinham com quem deixar seus filhos. A escola foi inaugurada no ano passado e não conta com sistema de monitoramento de segurança. No total são 520 estudantes. O valor do prejuízo não foi informado pela Prefeitura. 

No final da semana passada o Centro de Educação Infantil "Dona Zizi de Almeida" (CEI 03) foi o alvo dos bandidos que levaram 15 torneiras do escovódromo utilizados pelas crianças. O furto foi percebido na segunda-feira quando o estabelecimento foi aberto para receber os alunos. O boletim de ocorrência foi feito pela diretora. Ela informou ainda que para entrar no prédio os bandidos danificaram o alambrado deixando a escola vulnerável a novos furtos. 

Em seis meses, entre janeiro e julho, o Centro de Educação Infantil Maria das Graças A. P. Nardi (CEI-67), na Vila Barão, foi alvo da ação de bandidos e vândalos por quatro vezes. Notebooks e merendas furtadas, janelas estouradas e salas de aula pichadas foram algumas das consequências dessas ações criminosas. 

As ocorrências preocupam pais, alunos, professores e a direção das escolas. Funcionários de uma das escolas alvo de furtos se prontificaram em falar com a reportagem sobre as repetidas vezes que ladrões entraram no estabelecimento apenas esse ano mas. "Eles entram pelos fundos, quebram os vidros para conseguir entrar e sempre temos prejuízos", comentou um dos funcionários informalmente. A iniciativa, porém, foi barrada pela Secretaria de Comunicação da Prefeitura e no dia marcado para a entrevista a reportagem foi informada da desistência do grupo em falar sobre o assunto. A orientação de não falar com a reportagem foi passada pela própria Prefeitura.

PM informa que realiza rondas
Por conta do alto número de ocorrências, desde a semana passada a Polícia Militar mantém duas viaturas para fazer ronda nas escolas durante a madrugada. Essas ocorrências acontecem com mais frequência quando os estabelecimentos estão vazios, ou seja, durante os períodos de férias escolares, finais de semana e feriados.

A colocação de sistemas de segurança como cercas elétricas e alarmes ligados à centrais de polícia ou à Guarda Civil são algumas das formas de coibir esse tipo de ação criminosa, afirma o capitão da Polícia Militar, Vanclei Franci. "Muitos furtos são feitos para trocar os equipamentos por drogas", afirma Franci. Segundo ele reuniões estão sendo feitas com representantes das instituições de ensino para discutir diversas questões envolvendo os estabelecimentos de ensino e os alunos.

Envolver alunos e a comunidade na preservação da escola é outra forma de reduzir as ocorrências de furto e vandalismos nesses locais. Como exemplo ele cita o projeto Jovens Brasileiros em Ação (JBA) que está presente em algumas escolas da cidade. Com o auxílio de policiais militares especialmente treinados para o programa, os alunos são convidados a cuidar das dependências da escola evitando a depredação do patrimônio que é de todos. Os jovens participantes do programa ainda recebem noções sobre cidadania e aprendem a desenvolver a liderança.

Polícia prende três suspeitos por assassinato de casal em Mairinque

Prisão ocorreu em Itapevi; carro do homem morto também foi encontrado.

Filhas que foram abandonadas após o crime estão em abrigo de menores.

Do G1 Sorocaba e Jundiaí
Comente agora
A Polícia Civil prendeu na madrugada deste domingo (29) três suspeitos de envolvimento no assassinato de Gilmar Ferreira Guimarães, de 37 anos, e sua ex-mulher, Siluana Alves, de 21 anos, emMairinque (SP).
O crime, que ocorreu no último dia 19, chocou porque duas meninas, de 1 e 3 anos, filhas das vítimas, que já não estavam mais casados, foram abandonadas numa estrada.
O carro de Gilmar também foi encontrado. A prisão foi feita em Itapevi, na Grande São Paulo, a cerca de 30 km de Mairinque. A delegada Simona Anzuino, uma das responsáveis pelo caso, explicou que as investigações que levaram a polícia até os suspeitos teve auxílio do rastreio dos celulares roubados das vítimas no dia dos homocídios.

Encontrados numa estrada de terra, Gilmar e Siluana foram mortos com tiros na nuca, o que é considerado pela polícia um sinal de execução e de possível vingança, mas a polícia não descartava a possibilidade de latrocínio, o crime de roubo seguido de assassinato, já que Gilmar levava R$ 4 mil no carro. Ele estava morando em Araçariguama, com uma nova companheira, e tinha ido a Mairinque para fazer compras para a ex-mulher e as filhas.
O carro permanece em Itapevi, onde passará por perícia. A delegada não quis informar se os presos são homens ou mulheres ou se há menores envolvidos, e disse que mais detalhes serão dados somente numa entrevista coletiva que será agendada pela Delegacia Seccionl de Sorocaba, provavelmente nesta segunda-feira (30).
As meninas, que na noite do crime foram abandonadas a 3 km de distância dos pais, estão num abrigo de menores da cidade. A família de Gilmar afirmou que pretendia pegar a guarda delas, mas o Conselho Tutelar informou que seria preciso fazer uma análise sócio-econômico antes de conceder a guardar definitiva.
As crianças e o casal foram encontrados em pontos diferentes da estrada para o bairro dos Moreiras (Foto: Reprodução/TV Tem)As crianças e o casal foram encontrados em pontos diferentes da estrada (Foto: Reprodução/TV Tem)

Cavalo provoca acidente na Raposo Tavares em Mairinque

Um carro atropelou o animal e depois bateu em outro veículo.

Duas pessoas ficaram feridas.

Do G1 Sorocaba e Jundiaí
Um cavalo atrelado a uma charrete causou um cadente na Rodovia Raposo Tavares no fim da tarde deste domingo (29), no quilômetro 66, em Mairinque(SP). O tráfego ficou lento porque uma das faixas da pista sentido capital teve que ser interditada para socorrer as vítimas.
Segundo os bombeiros, o cavalo da charrete que seguia pelo acostamento se assustou e invadiu a pista. Um carro que trafegava no sentido interior atropelou o animal. Outro carro que vinha atrás não conseguiu frear e bateu. Nos dois carros viajavam pessoas da mesma família.

O telespectador Mickael passou pelo local e enviou a foto pelo aplicativo para celulares e tablets TEM Você. A Polícia Militar Rodoviária, bombeiros e funcionários da concessionária foram chamados para orientar o tráfego e atender as vítimas.
Os feridos foram encaminhados para o hospital e a mulher que conduzia a charrete, apesar de ensanguentada, não quis ser socorrida e passa bem.
Ainda não se sabe como o acidente aconteceu (Foto: Mickael/Tem Você)Duas pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para o hospital (Foto: Mickael/Tem Você)

Policial reage a assalto e é morto na frente da família

Isabela Rosemback

do Agora
Um sargento da PM foi morto diante da família, na noite de anteontem, durante uma tentativa de assalto na frente da casa dele, em Osasco (Grande SP). Um homem foi preso e quatro fugiram.
O crime aconteceu por volta das 20h, quando o sargento Isael Jorge Silva, 50 anos, e sua família saíam de carro da garagem de casa.
O PM estava acompanhado da mulher e de dois filhos adultos quando foi abordado por três homens. Um deles, armado, anunciou o assalto.
De acordo com a polícia, a família já havia saído do veículo, um Fox prata, quando Silva, que carregava uma pistola, reagiu.

Fluxo de imigrantes na Grande São Paulo cai

Folha de São Paulo

Baianos, mineiros, pernambucanos, cearenses e paranaenses. São esses os principais grupos de imigrantes brasileiros que habitam hoje a Grande São Paulo.

A Pnad 2012 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) mostra que a região metropolitana tem hoje 20,2 milhões de habitantes.
Cerca de 5,5 milhões deles nasceram fora do Estado de São Paulo --uma população maior que a de países como Noruega, Irlanda e Uruguai.
O movimento, no entanto, representa a diminuição da presença de imigrantes no caldeirão paulista.
Se nos anos 1970, a cada dez habitantes da região metropolitana de São Paulo, seis eram imigrantes do restante do país ou do exterior, hoje essa razão é de três forasteiros para cada dez moradores.
Isso se deve a dois fatores: primeiro ao fato de filhos dos imigrantes daquela década já terem nascido na Grande São Paulo e serem contabilizados como tal; e em segundo lugar ao fluxo e refluxo migratório que caracteriza os deslocamentos do século 21.
"Embora haja continuidade dos mesmos fluxos migratórios do século 19 e 20, a nova face da imigração a São Paulo é o retorno", avalia Rosana Baeninger, professora da Unicamp e pesquisadora do Nepo (Núcleo de Estudos de População).
A demógrafa afirma que, segundo dados do Censo 2010, cerca de 2,3 milhões de migrantes se mudaram para São Paulo entre 2000 e 2010 ao mesmo tempo em que 1,8 milhão deixaram a região metropolitana no período.
"Sessenta por cento daqueles que saíram de São Paulo são migrantes de retorno [que estão voltando a suas regiões de origem] e 40% são, em geral, filhos de imigrantes", diz. "São Paulo se tornou área de rotatividade migratória."
Editoria de Arte/Folhapress
ÚLTIMA VINDA
Morador da zona leste de São Paulo, Vilmar Rodrigues, 37, quer voltar à cidade natal de uma vez por todas.
Mineiro de Itaobim, um município de 21 mil habitantes a 617 quilômetros de Belo Horizonte, chegou a São Paulo pela primeira vez em 2000.
Essa sua nova temporada na capital paulista foi até 2006, quando voltou a Minas. Mas não conseguiu ficar muito tempo lá: em 2008, pegou novamente um ônibus para tentar a vida em São Paulo.
Agora, afirma, está decidido a voltar de vez a Itaobim. "O aluguel em São Paulo é caro, não consegui comprar uma moto nem carro nem casa. Não me arrependo, mas não foi bom", diz.
Se os planos de Rodrigues derem certo, dezembro será o último mês dele aqui.
Rodrigues está desempregado, mas voltará com novas habilidades: trabalhou como garçom, marceneiro e motorista. E fez um curso para aprender o ofício de torneiro mecânico.
Segundo ele, Itaobim "agora está melhorando, tem empresas que vão para lá".
RAÍZES HISTÓRICAS
Mineiros começaram a se mudar para São Paulo no início do século 19, com a falência do ciclo da mineração.
Baianos e pernambucanos foram inicialmente recrutados nos anos 1930 pela Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização (Caic), uma iniciativa da Companhia Paulista de Estradas de Ferro para obter mão de obra agrícola quando os fluxos de estrangeiros (principalmente de italianos) diminuíram.
"A desigualdade sempre foi um fator de deslocamento de nordestinos para São Paulo, mas houve um estímulo institucional que facilitou isso", diz a demógrafa.
Para Baeninger, os imigrantes nordestinos ainda "são populações extremante importantes para a economia paulistana".
terra estrangeira
A Pnad 2012 também aponta que São Paulo tem hoje 223 mil estrangeiros vivendo em sua região metropolitana. Eles correspondem a apenas 0,52% da população local.
A pesquisa não faz distinção de grupos ou nacionalidades e contabiliza aí tanto integrantes de ondas migratórias antigas, como a japonesa, quanto as mais recentes, como a boliviana.
Estudo do Observatório das Migrações em São Paulo detectou uma mudança no padrão dessa imigração estrangeira à São Paulo: grupos de bolivianos, paraguaios, chineses e coreanos têm ido para o interior do Estado trabalhar na agricultura, indústrias e comércio.
Colaborou FELIPE GUTIERREZ

Prefeitura de SP vai fazer devassa nos contratos de ônibus

Folha de São Paulo

O governo Fernando Haddad (PT) abriu a licitação para contratar uma auditoria geral na contabilidade e em toda a estrutura de custos das empresas e cooperativas de ônibus que prestam serviços à Prefeitura de São Paulo.

A decisão de auditar as empresas já havia sido tomada depois da suspensão do reajuste nas tarifas, após as manifestações de junho.

Hoje, cabe à SPTrans gerenciar os contratos. Os auditores devem tentar rever as contas de forma independente. Os primeiros resultados devem sair em 2014.
O resultado da consultoria externa vai ser usado para aperfeiçoar o modelo do cálculo da tarifa e atualizar os custos do setor na próxima licitação -o governo Haddad havia iniciado a concorrência, que também foi suspensa para ser readequada.
Será revisto o valor dos investimentos e dos lucros das 16 empresas e cooperativas de ônibus, no período que vai de agosto de 2003 a julho deste ano. Isso inclui a TIR (Taxa Interna de Retorno, um componente do lucro).
Em julho, Haddad prometeu baixar a taxa de lucro do sistema. Segundo a SPTrans, as empresas de ônibus terão, neste ano, um ganho líquido de R$ 406,8 milhões.
O edital da licitação prevê uma análise mais precisa sobre a eficácia da fiscalização da SPTrans nas empresas -a bilhetagem eletrônica e o sistema integrado de monitoramento, utilizado para acompanhar frota, tipo de veículos, horários e tempo de viagem nas linhas.
Em julho, 15 dos 16 contratos venceram. Com isso, foi necessário prorrogá-los em até 12 meses até que seja concluída a nova concorrência.
CUSTOS REAIS
A auditoria traz uma inovação que vem sendo aplicada com mais rigor no país, o exame dos valores que as concessionárias declaram gastar para manter um serviço público, como estradas e ônibus. Ou seja, se o preço do pedágio ou da tarifa é justo.
A prefeitura pretende saber, ainda, se as empresas descontam de seus custos os juros mais baixos que pagam nas linhas de crédito oficiais para comprar ônibus.
É que as empresas podem captar financiamentos subsidiados, como a linha de crédito do Finame, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), para renovar frotas.
A razão é que uma empresa poderia informar que está pagando pelo financiamento juros de mercado, bem mais altos, embora tenha acesso ao crédito do BNDES.
Os auditores vão comparar o valor declarado com o aluguel de garagens com o preço médio no mercado imobiliário da região. E ainda saber quem é o dono do imóvel.
Isso porque uma empresa poderia alugar uma área dela própria e superfaturar o aluguel, incorporando esse custo irreal à tarifa. Serão revistos, ainda, os balanços anuais das empresas, para saber como foram calculados os lucros ou prejuízos.
Folha entrou em contado com o SPUrbanuss (sindicato das empresas) no final de semana, mas não conseguiu falar com a entidade.

Consultoria simulada levou R$ 52 mi de cartel, diz Polícia Federal

Folha de São Paulo

Empresas acusadas de fraude em licitações de trens no Estado de São Paulo pagaram R$ 52 milhões a firmas de consultoria investigadas pela Polícia Federal sob a suspeita de repassar propina a políticos e funcionários públicos desde o fim da década de 1990.
Algumas dessas consultorias foram identificadas pela primeira vez em inquérito aberto pela PF em 2008 para investigar negócios da multinacional francesa Alstom com empresas do setor elétrico e de transporte, controladas pelo governo estadual.
Neste ano, a PF ampliou o foco das investigações para empresas denunciadas pela alemã Siemens ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) como participantes de um cartel que combinou o resultado de várias concorrências do Metrô e da CPTM entre 1998 e 2008.
De acordo com a PF, que examinou a movimentação financeira de quatro consultorias sob suspeita, elas receberam repasses da Alstom e de duas outras empresas acusadas de participar do cartel, a canadense Bombardier e a brasileira Tejofran.
PROPINA
A polícia trabalha com a hipótese de que essas consultorias simulavam a prestação de serviços e eram usadas para distribuir propina a políticos e funcionários ligados ao PSDB, que governa o Estado de São Paulo desde 1995.
A Siemens também é alvo de investigações da polícia. Em 2008, um executivo da empresa apresentou anonimamente uma denúncia à direção da companhia na Alemanha e afirmou que ela também usou consultorias brasileiras para repassar propina a políticos e funcionários.
Segundo a PF, a Alstom pagou R$ 45,7 milhões à consultoria MCA, do empresário Romeu Pinto Jr. na época dos repasses.
O dinheiro foi depositado em contas controladas por ele no Brasil e na Suíça.
Em depoimentos à PF e ao Ministério Público, em 2009 e 2012, o consultor disse que não prestou os serviços indicados nos recibos entregues à Alstom e que foi usado para distribuir propina. Pinto Júnior afirmou que entregava o dinheiro a motoboys de doleiros e não sabe a quem ele foi repassado depois.
De acordo com os relatórios da PF sobre a movimentação financeira dessas empresas, a Alstom também transferiu R$ 4,8 milhões à ENV, pertencente ao consultor Geraldo Villas Boas, e à Acqua-Lux, controlada por Sabino Indelicato, ligado a Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Marinho foi chefe da Casa Civil no governo de Mário Covas, entre 1995 e 1997, e é investigado em outro inquérito por ter foro privilegiado.
A atual diretoria da Alstom diz desconhecer as investigações da PF. Em depoimento à polícia, Villas Boas e Indelicato negaram que o dinheiro fosse destinado a políticos.
A Bombardier e a Tejofran pagaram R$ 1,5 milhão entre 2005 e 2009 à consultoria BJG, controlada pelo ex-secretário estadual de Transportes Metropolitanos José Fagali Neto, que começou a ser investigado pela PF em 2008, quando foram descobertos depósitos da Alstom em seu nome na Suíça.
A Justiça da Suíça bloqueou US$ 6,5 milhões depositados no exterior após encontrar o nome de Fagali Neto em papéis da Alstom que faziam referência ao pagamento de propina no Brasil.
A Bombardier diz que contratou a BJG para assessorá-la em concorrências, fazendo pagamentos "absolutamente lícitos". A Tejofran diz que os valores pagos são compatíveis com as consultorias.
Como a Folha revelou no último dia 23, Fagali Neto recebia informações sobre planos do governo estadual de um alto funcionário da Secretaria de Transportes Metropolitanos, Pedro Benvenuto, que pediu demissão após a revelação.
O delegado Milton Fornazari, responsável pelas investigações da PF, indiciou Fagali Neto e os outros três consultores por suspeita de corrupção ativa. Fagali Neto diz que pode provar que suas consultorias existiram.
A PF entregou relatório sobre os negócios da Alstom em São Paulo em agosto de 2012, mas o procurador Rodrigo de Grandis considerou que a investigação era insuficiente para levar o caso à Justiça e pediu novas apurações. Ele demorou mais de um ano para chegar a essa conclusão.
OUTRO LADO
As empresas investigadas pela Polícia Federal sob a suspeita de terem usado consultorias para repassar propina negam ter pago suborno.
Em nota, a Bombardier diz que Jorge Fagali Neto prestou consultoria para projetos que incluíam a sinalização de uma estrada de ferro na Colômbia, sinalização de transporte ferroviário urbano no Brasil e modelagem para a reforma de trens da CPTM.
A companhia afirma ter todas as notas e contratos e que os pagamentos à BJG foram feitos "pelos meios oficiais, tanto que foram identificados no relatório da PF".
A Bombardier diz que "repudia qualquer conduta que fuja aos altos padrões éticos".
A Tejofran diz que não conseguiu checar se o valor dos contratos com a BJG foi de R$ 978 mil por se tratar de registros contábeis antigos. Nega ter pago propinas e diz que o valor é compatível com suas atividades na época.
A Alstom diz que "desconhece o teor das investigações" da PF. Nesse inquérito são acusados ex-executivos da Alstom e a atual diretoria não foi chamada pela PF.
Os consultores Romeu Pinto Jr. e Sabino Indelicato não quiseram se manifestar.
O advogado Belisário dos Santos Jr., que defende Jorge Fagali Neto, diz que ele "pode demonstrar que prestou todos os serviços de consultoria". Em depoimento ao Ministério Público, Fagali Neto afirmou que não tinha contas no exterior e não cometeu crimes. Na casa de Geraldo Villas Boas, a informação é de que ele estava viajando.
editoria de arte

Senado pode votar esta semana PEC do Voto Aberto

 Agência Brasil

Brasília - A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 43/2013, que acaba com o voto secreto de parlamentares, pode entrar na pauta de votações do Senado nesta semana. A chamada PEC do Voto Aberto passou, na última quinta-feira (26), pela terceira das cinco sessões de discussão necessárias para a votação em primeiro turno na Casa.
O texto aprovado pela Câmara dos Deputados prevê o fim do voto secreto em todas as votações, de modo que os parlamentares tenham que votar abertamente nas escolhas de presidente da Mesa Diretora, nas indicações presidenciais para cargos no Executivo e no Judiciário, nas apreciações de vetos presidenciais e nos processos de cassação de mandato.
Favorável à proposta, o relator da matéria no Senado, Sérgio Souza (PMDB-PR), reconhece que não há consenso na Casa sobre todos os pontos da PEC. Ele alega que a maioria dos senadores concorda apenas com o fim do voto secreto no que se refere à cassação de mandato. Há receio, de acordo com o relator, de que o voto aberto nas outras situações se traduza em constrangimento para os parlamentares, prejudicando a independência em relação a autoridades do Executivo e do Judiciário.
“Nas indicações de autoridade, o voto secreto se imporia como medida destinada a proteger o senador da República de futuras e hipotéticas retaliações a serem praticadas pela mesma pessoa, quando empossada no cargo para o qual foi indicada. Seria destinado também, nessa circunstância, a não fragilizar o indicado no exercício de suas funções, na hipótese da aprovação de seu nome por apertada maioria”, explica Souza em seu relatório já aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
O relator propõe que a PEC 43 seja aprovada apenas tratando do fim do voto secreto para cassação de mandato. Com isso, o voto aberto em outras deliberações passa a tramitar em outra proposta, que será discutida com mais tempo.
Exemplo dos que discordam da abertura total dos votos de parlamentares, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) reclamou que a matéria esteja prestes a ser colocada em votação sem amadurecimento suficiente. “Nós estamos nos encaminhando, nós, o Congresso brasileiro, para uma espécie nova de suicídio, que é o suicídio institucional. O Congresso brasileiro está se encaminhando para se autoimolar, para perder voluntariamente prerrogativas que garantem a sua independência e que garantem a sua posição dentro de um jogo intrincado de equilíbrio entre Poderes, o Poder Legislativo e o Poder Executivo, quando se prepara para votar, sem a menor reflexão de natureza institucional, apenas julgando interpretar a voz das ruas”, argumentou o líder do PSDB na Casa.
Em posição oposta, o senador Walter Pinheiro (PT-BA) avalia que há demora para votar a PEC do Voto Aberto. Pinheiro lembrou que muitos parlamentares utilizam a prerrogativa do voto secreto para esconder interesses e posições pessoais. “A única forma que o eleitor tem de acompanhar os nossos mandatos verdadeiramente é ver como é que nós materializamos nossas propostas por meio do voto”, destacou o senador petista.
Se tudo correr conforme o previsto pelos líderes partidários, a quarta sessão de discussão da PEC ocorrerá na terça-feira (1º) e a última sessão de debates e a votação da proposta serão na quarta-feira (2).

Comando da Rede defende que Marina abandone sucessão se partido não sair

Integrantes da Executiva provisória afirmam que, após pregar a criação de uma sigla com compromisso programático, ex-senadora seria muito cobrada caso migrasse para outra legenda


Isadora Peron e Lilian Venturini - O Estado de S.Paulo
Integrantes da Executiva Nacional provisória da Rede Sustentabilidade defendem que Marina Silva desista da candidatura à Presidência caso o partido não consiga o registro no Tribunal Superior Eleitoral. Migrar para uma legenda já existente, avaliam, confrontaria todos os ideais defendidos pelo grupo até agora.
Marina Silva diz não ter 'plano B' caso a Rede não seja oficializada - Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão
Marina Silva diz não ter 'plano B' caso a Rede não seja oficializada
"O nosso sonho é ter um espaço democrático, transparente e ético. Infelizmente, eu não vejo esses ingredientes juntos em nenhuma outra legenda", diz Jefferson Moura, vereador do Rio pelo PSOL que integra a comissão nacional da sigla. "Se a Rede não sair, Marina deve ser candidata à Presidência em 2018."
O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), outro integrante do grupo, argumenta que, depois de pregar a criação de um partido com compromisso programático, Marina seria muito cobrada caso decidisse ir para outra sigla somente para disputar as eleições. "Ela passaria a campanha toda tendo que se explicar. Ficaria muito vulnerável."
Até quem já se disse favorável à ideia mudou o discurso, diante das diversas declarações de Marina de que não trabalha com um "plano B". "No início achava que ela deveria disputar, mesmo que fosse por outro partido. Hoje, ela vai ter que fazer o que o coração dela pedir", diz Domingos Dutra (PT-MA), também integrante da Executiva.
O TSE deve julgar o pedido de registro de criação da Rede entre quarta e quinta-feira. O prazo para criação de novos partidos a tempo de disputar a eleição de 2014 é sábado, data limite para quem deseja se candidatar se filiar a uma legenda.
A expectativa em torno dessa decisão não seria tão grande se o grupo da ex-senadora tivesse conseguido cumprir todos os requisitos exigidos pela legislação. Até agora, validaram nos cartórios 470 mil assinaturas - o total exigido por lei é de 492 mil.
Para alcançar o número, os advogados da Rede, liderados pelo ex-ministro do TSE Torquato Jardim, pediram que o tribunal considerasse válidas 95 mil fichas de apoio rejeitadas sem justificativa. Essa é a última cartada jurídica do grupo. Se o recurso for aceito, será uma decisão inédita da corte.
Durante todo o processo, a ex-senadora criticou publicamente a Justiça Eleitoral. Primeiro, reclamou que os cartórios não cumpriam o prazo legal de 15 dias para conferir as assinaturas enviadas. Depois, chamou atenção para o índice de rejeição das fichas de apoio, considerado alto pelos integrantes do movimento da criação da sigla.
Nesta reta final, aliados voltam a jogar no colo no TSE o ônus de negar o registro da Rede. Argumentam que impedir a segunda colocada nas pesquisas eleitorais de concorrer à Presidência seria "antidemocrático".
"O establishment jurídico terá de assumir a responsabilidade de ter subtraído a representatividade", afirma Sirkis.
Futuro. Apesar das dificuldades encontradas por Marina, cientistas políticos avaliam que adiar a candidatura para 2018 seria uma escolha arriscada. "Política é timing. Não dá para garantir que Marina terá as mesmas condições em 2018", diz Carlos Melo, professor do Insper.
Se a ex-senadora optar por ficar de fora do pleito, terá de trabalhar para manter seu nome em evidência e recorrer a campanhas nacionais, a exemplo das Caravanas da Cidadania organizadas pelo PT na década de 1990, para promover o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é do professor da UFMG Bruno Reis, que considera a alternativa difícil para alguém sem plataforma partidária consolidada. "Ficar de fora em 2014 é um revés irrecuperável", afirma.
Armadilha. Diante do risco de ver seu projeto perder fôlego em 2018, os especialistas acreditam que traria menos prejuízo a Marina migrar para outro partido, ainda que para isso precise dar explicações ao seu eleitorado. Mesmo assim, haveria prejuízos. "Como se apresentou como diferente, agora se cobra mais. Ela ajudou a armar essa armadilha para ela", diz Reis.
Na avaliação de Ricardo Caldas, professor da UNB, restaria à ex-senadora ir para partidos nanicos, como o PEN, já que é pouco provável voltar para o PV ou migrar para o PPS, que ainda não desistiu de esperar pelo ex-governador José Serra (PSDB). "Não seria algo que acabaria com a carreira dela", diz.
Pesquisa Ibope divulgada na quinta-feira mostra Marina com 16% da preferência do eleitorado - seis pontos porcentuais a menos do que em julho, um mês após a série de manifestações realizadas pelo País.

Presidente do PT é o deputado que mais falta na Assembleia de São Paulo

Levantamento mostra que Rui Falcão compareceu a pelo menos 187 das 584 sessões em plenário e conseguiu abonar ausências mesmo tendo participado de eventos partidários fora do estado; petista alega que estava no exercício da atividade parlamentar

Fernando Gallo e Pedro Venceslau - O Estado de S.Paulo
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, é o deputado que mais faltou a sessões na atual legislatura da Assembleia Legislativa de São Paulo. Até o mês de julho deste ano ele deixou de comparecer a pelo menos 187 das 584 sessões em plenário do legislativo paulista, segundo levantamento feito pelo Estado com base em dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. É a primeira vez que a Casa abre os registros de frequência dos parlamentares.
Além do presidente do PT, completam o grupo dos dez mais faltosos os deputados Milton Leite Filho (DEM), Roque Barbiere (PTB), Feliciano Filho (PEN), João Caramez (PSDB), Roberto Engler (PSDB), Vanessa Damo (PMDB), Rogério Nogueira (PDT), Pedro Tobias (PSDB) e Gilson Souza (DEM) - todos também com mais de 100 faltas na atual legislatura.
Na prática, o número de ausências é provavelmente ainda maior, pois o regimento interno da Assembleia prevê que, quando não há votação em plenário ou pedido de verificação de presença, uma sessão é aberta com o mínimo de 12 deputados na Casa. Neste caso, todos os 94 deputados ganham presença, mesmo que não estejam no legislativo.
Para evitar muitos descontos no salário, os deputados costumam se valer de um dispositivo do regimento interno que permite o abono de até quatro faltas mensais. Desde 2011, Rui Falcão teve abonadas 72 faltas com base no artigo 90 do regimento.
Contudo, esse mesmo artigo determina que "considera-se presente a deputada ou deputado" que "faltar a 4 sessões ordinárias, no máximo, por mês, a serviço do mandato que exerce". O Estado encontrou diversos casos em que Rui Falcão foi abonado por ausência, mas estava fora do Estado de São Paulo cuidando de assuntos da organização interna do PT ou das eleições de 2012. Isso ocorreu, por exemplo, nos dias 14 e 15 de agosto do ano passado - terça e quarta-feira. O site do próprio deputado registrou que nesses dois dias ele participou de "atividades da campanha eleitoral em várias cidades". Cumpriu agenda em Itabuna, Ilhéus e Vitória da Conquista, todas na Bahia, além de São Luís (MA) e Teresina (PI).
Em 1.º e 2 de junho de 2011 ele também foi abonado pelas duas faltas, mas na quarta-feira (dia 1.º) participou de reunião do Conselho Político do governo federal com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília. Na quinta (dia 2), também na capital federal, presidiu a reunião da Executiva Nacional do PT. O site do deputado registrou nessa data: "Rui Falcão discutirá Eleições 2012 e Reforma Política com presidentes estaduais do PT". Essa mesma nota informava que, nos dias anteriores, ele viajara a Goiás, Rondônia e Acre.
Uma semana antes, no dia 26 de agosto de 2011, uma quinta-feira, o site do deputado também registrou a viagem que ele fez a Goiânia, durante o dia todo. Uma reportagem intitulada "Rui Falcão inicia viagens pelo País para discutir Eleições 2012 e Reforma Política" dava conta, em seu final, de uma extensa programação, que começaria com a chegada ao aeroporto às 12h30 e terminaria às 21h30. Nesse dia, em que houve sessão na Assembleia, ele nem precisou abonar a falta: teve presença computada.
Para efeito de comparação, ele registrou 16 ausências - pelas quais não recebeu salário -, ante as 72 faltas abonadas. Todas as ausências foram computadas em meses em que ele já chegara no limite de quatro faltas abonadas. As demais ausências do petista ocorreram em sessões extraordinárias, que não são levadas em conta para o cálculo da remuneração mensal, mas são consideradas para o cômputo do 13.º salário.
O presidente do PT afirma que tem sido um dos deputados mais atuantes.
Presença rara. Incumbido da tarefa de comandar o PT nacionalmente, Rui Falcão fica muito na sede do partido em São Paulo, viaja pelo Brasil e pouco aparece na Assembleia. Ele deixou de comparecer a um número maior de sessões do que deputados que tiveram diversas licenças médicas por doenças ou acidentes. Também faltou mais do que parlamentares licenciados por longos períodos entre julho e outubro de 2012 para disputar as eleições municipais.
Entre março de 2011 e março de 2013, não abriu mão do cargo de primeiro secretário da Assembleia, responsável por departamentos como o de Finanças e Recursos Humanos. Em 14 de agosto, em um dos dias mais movimentados da Assembleia no ano, quando ocorriam uma manifestação contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a votação de uma importante PEC, a reportagem do Estado flagrou um deputado petista comentando com outro: "Hoje até o Rui veio!" / COLABOROU VALMAR HUPSEL FILHO

Com verba do Minha Casa Minha Vida, entidades atuam como imobiliárias

Do funcionário de plantão que mostra a área de lazer dos novos empreendimentos ao site com a simulação de decorado, movimentos de moradia liderados por filiados ao PT oferecem, somente para associados que pagam suas mensalidades, 4 mil imóveis


Adriana Ferraz e Diego Zanchetta - O Estado de S.Paulo
Entidades que fazem a gestão de R$ 238,2 milhões do Programa Minha Casa Minha Vida em São Paulo passaram a funcionar como imobiliárias em bairros da periferia. Do funcionário de plantão que mostra a área de lazer dos novos empreendimentos ao site com a simulação de um apartamento decorado, movimentos de moradia liderados por filiados ao PT oferecem, somente para associados que pagam suas mensalidades, 4 mil imóveis adquiridos com incentivos fiscais do governo federal a partir de R$ 3 mil, pagos em até 10 anos.
Nesse domingo, 29, o Estado revelou que líderes comunitários petistas da capital usam critérios políticos para gerir a maior parte do recurso repassado pelo programa federal a entidades para a construção de casas populares. Onze das 12 entidades que tiveram projetos aprovados pelo Ministério das Cidades em setembro são dirigidas por filiados ao partido.
Você quer morar na zona leste? Ou tem interesse em adquirir uma unidade residencial no centro da capital? Seja qual for a escolha, a página oficial do Fórum dos Cortiços e Sem Teto de São Paulo traz opções de plantas e ilustrações dos imóveis com direito à simulação de modelo decorado.
Em maio, as últimas unidades do Projeto 22 de Março foram praticamente leiloadas pela associação, que manteve plantão telefônico para atender os interessados. Quando elas se esgotaram, o site tratou de encaminhar o visitante para outro empreendimento na Liberdade, região central. E, para não perder o cliente, o anúncio deste mês avisa que a localização do novo conjunto é bem próxima, no mesmo bairro.
Na página, também é possível conferir fotos e vídeos do Projeto São Francisco do Lageado, já em obras com recursos do Ministério das Cidades. Até agora, foram liberados R$ 14,8 milhões para o empreendimento, que terá quatro blocos interligados e um total de 252 unidades. Quando prontos, os apartamentos terão dois quartos, sala, cozinha, banheiro e varanda.
Pela internet, os associados da entidade ainda ficam por dentro das últimas ações do fórum, como reuniões com o prefeito Fernando Haddad (PT) e protestos pelo direito de moradia digna em São Paulo. Um link específico ainda atualiza os últimos feitos da líder do movimento, Verônica Kroll, que já foi candidata a vereadora pelo PT.
"Aqui não existe critério político. Nossos selecionados também passam por uma seleção feita pela Caixa Econômica Federal", argumenta o chileno Manuel Burgos, assistente social que faz a triagem dos beneficiados dos empreendimentos sob responsabilidade do Fórum dos Cortiços. A entidade, com sede na Rua Bento Freitas, no centro, cobra R$ 25 de mensalidade e R$ 40 de taxa de adesão.
Vitórias. Blogs com fotos, plantas e perspectivas dos futuros empreendimentos são comuns a quase todas as associações. O objetivo é mostrar ao associado vitórias obtidas pelo movimento e a cara das futuras moradias.
No blog Condomínio Barra do Jacaré, sob o comando da Associação dos Trabalhadores do Conjunto Residencial Vale das Flores, da zona norte de São Paulo, há links para álbum de fotos, com imagens do terreno onde será erguido o residencial de 592 unidades.
As características das plantas também são relatadas em detalhes, assim como estacionamento e área de lazer.
As famílias selecionadas para morar no Condomínio Dom José 1 e 2, na região do Capão Redondo, zona sul, também podem acompanhar dados do projeto por meio de blogs. Desenvolvidas pelas associações Moradores do Jardim Comercial e Adjacências e Amigos do Conjunto Modelar, as ferramentas ainda ajudam os associados a organizar toda a papelada necessária para o cadastro final.

Criminosos roubam R$ 2 milhões em tablets e notebooks no Aeroporto de Guarulhos

Grupo que chegou de caminhão invadiu o terminal de cargas e rendeu funcionários


Renato Vieira - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Cinco homens armados invadiram o terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Guarulhos na noite de domingo, 29, e roubaram aparelhos eletroeletrônicos avaliados em cerca de R$ 2 milhões.
Por volta das 22h, eles chegaram ao local em um caminhão e renderam cinco funcionários. Segundo a delegacia da Polícia Civil do aeroporto, as vítimas foram obrigadas a colocar caixas, que continham 50 tablets e notebooks, no veículo usado pelos criminosos.
A ação durou meia hora. A polícia tenta verificar se os homens foram filmados por câmeras de segurança. Ninguém foi preso.

Lula afirma que, em 2014, atuará como ‘candidato’

Em entrevista a jornais do grupo Diários Associados, ele diz que será ‘metamorfose ambulante’ de Dilma na campanha presidencial


O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - Depois de dizer que está “no jogo”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou que será um caixeiro viajante para reeleger sua sucessora, Dilma Rousseff. “Quero ser a metamorfose ambulante da Dilma”, afirmou ele, em entrevista aos jornais do Grupo Diários Associados, que circulam na capital federal.
Dilmista: Lula mostrou que pretende enterrar o ‘Volta Lula’ entoado até por alguns petistas - Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão
Dilmista: Lula mostrou que pretende enterrar o ‘Volta Lula’ entoado até por alguns petistas
A cúpula do PT só aguarda a definição do quadro partidário, nesta semana, para montar uma agenda de viagens para Lula. Pela lei, o prazo de filiação para quem quiser disputar a eleição do ano que vem termina no sábado. Lula não ficará na coordenação da campanha de Dilma, mas deixou claro o que todos já sabiam no meio político: pedirá votos para a presidente, muitas vezes se revezando com ela nos palanques.
“Eu vou percorrer o Brasil como se eu fosse candidato”, afirmou Lula. “Se ela não puder ir para o comício num determinado dia, eu vou no lugar dela. Se ela for para o Sul, eu vou para o Norte. Se ela for para o Nordeste, eu vou para o Sudeste. A única coisa que eu não vou fazer é cantar, porque sou desafinado, mas, no resto, ela pode contar comigo.” A estratégia do “revezamento” já foi usada por Lula no fim da campanha de 2010, quando ele lançou Dilma à Presidência. Essa “divisão de tarefas” sempre foi defendida pelo marqueteiro João Santana como forma de multiplicar a propaganda petista.
Na entrevista, o ex-presidente também avisou que não aceitará divisões no PT em relação a Dilma, enterrando de vez o “Volta Lula”, entoado por setores do partido. “Se houver alguém que se diz lulista, e não dilmista, eu o dispenso de ser lulista”, insistiu. “Eu não estou pedindo que as pessoas gostem dela. Eu quero que as pessoas a respeitem na função institucional e saibam que o PT está lá para apoiá-la.”
Campos e Aécio. Na avaliação de Lula, o PT e integrantes do governo erraram ao empurrar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), para fora da base aliada. “Foi um prejuízo para a gente ter o PSB, e sobretudo o Eduardo, do outro lado”, disse o ex-presidente. Mesmo assim, ele afirmou não dar “de barato” que Campos - presidente do PSB - dispute o Palácio do Planalto com Dilma, no ano que vem.
“Eu não dou de barato que as coisas estão definidas na eleição. Nem para o Eduardo Campos ser candidato nem para o Aécio (Neves) ser candidato. Sabe-se lá o que o (José) Serra vai tramar contra o Aécio?”, argumentou Lula.
O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, é o provável pré-candidato tucano à sucessão de Dilma, mas dirigentes petistas acham que o ex-governador José Serra (PSDB) poderá desbancá-lo do posto. O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), ainda nutre esperanças na saída de Serra do PSDB. Freire quer dar legenda a Serra para que ele possa novamente concorrer ao Planalto.
Para Lula, a ex-senadora Marina Silva tem o direito de criar um partido, mas precisa assumir que está entrando nesse jogo. “Tem de ter coragem de dizer que é partido, não tem de inventar outro nome, dizer que não é partido, é uma rede. É partido e vai ter deputado, como todo partido”, provocou o ex-presidente, numa referência à Rede Sustentabilidade, como Marina batizou a sigla que pretende criar. Marina foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula e deixou o cargo em maio de 2008, após desentendimentos com Dilma, que então era chefe da Casa Civil.
Rosemary. O ex-presidente foi econômico ao comentar a decisão da Controladoria-Geral da União (CGU) de afastar do serviço público, por cinco anos, a então chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, acusada de tráfico de influência pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal (PF).
“Ela já estava demitida. O que a CGU fez foi confirmar o que todo mundo já sabia que ia acontecer”, afirmou Lula. “O servidor que comete algum ilícito tem de ser exonerado. O que valeu para o escritório (da Presidência) vale para qualquer lugar no Brasil no setor público.” Foi a primeira vez que ele se manifestou sobre a investigação da PF que atingiu Rosemary.