segunda-feira, 31 de março de 2014

Cresce 13,1% o faturamento do comércio na região de Sorocaba


Foram obtidos R$ 25,2 bilhões no ano passado, enquanto em 2012 o volume de vendas atingiu R$ 22,3 bilhões


Anderson Oliveira
anderson.oliveira@jcruzeiro.com.br 


O comércio da região de Sorocaba faturou R$ 25,2 bilhões no ano passado, valor 13,1% superior ao volume de vendas registrado em 2012, quando se atingiu a soma de R$ 22,3 bilhões. Com o crescimento, Sorocaba ficou atrás apenas de Guarulhos, entre as 16 regiões que compõem a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz). Lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e os supermercados puxaram as vendas do período. A Associação Comercial de Sorocaba (Acso) aponta que o emprego e o aumento da renda da população foram os responsáveis pela elevação do consumo. 

De acordo com a Fecomercio, o crescimento do faturamento do varejo na região sorocabana ficou bem acima da média do Estado de São Paulo. Na comparação com 2012, em todo o Estado, o volume de vendas alcançou a soma de R$ 513,2 bilhões, o que representou uma alta de 4,2%. A PCCV utiliza dados da receita mensal informada pelas empresas varejistas de todos os municípios paulistas ao governo paulista, por meio de um convênio de cooperação técnica firmado entre a Sefaz e a FecomercioSP. 

Dentre as 16 delegacias regionais da Sefaz, a de Sorocaba foi a segunda que obteve maior crescimento do faturamento do comércio varejista em 2013, diz a Fecomercio. Em dezembro do ano passado, conforme matéria publicada pelo jornal Cruzeiro do Sul, a expectativa da Fecomercio era de que as vendas da região ficassem abaixo apenas das registradas por Guarulhos e Osasco. Contudo, a região sorocabana ficou atrás apenas de Guarulhos, que teve crescimento anual de 20,9%. 

O bom desempenho da região de Sorocaba, com 13,1% de acréscimo nas vendas, deve-se aos setores de eletrodomésticos, eletrônicos e os supermercados, informa a Federação. As lojas que comercializam os dois primeiros produtos avançaram R$ 936,3 milhões em 2013, ou 32,1%, passando de R$ 2,522 bilhões, em 2012, para R$ 3,458 bilhões no ano passado. Já os supermercados, apresentaram um aumento no faturamento de 24,7%, ou um incremento de R$ 719,8 milhões. O único segmento que registrou retração foi o de concessionárias de automóveis, que vendeu R$ 4,4 milhões a menos. 

Outros segmentos 

Outros setores que apresentaram elevação em seus resultados no comparativo de 2013 com 2012 foram os de lojas de material de construção, com um avanço de R$ 350,1 milhões nas vendas, ou 12% a mais; em seguida, as lojas de vestuário, tecidos e calçados, que venderam R$ 138,1 milhões, ou 4,7%, a mais; aumentou o faturamento também o setor de lojas de autopeças e acessórios, com acréscimo de R$ 43,4 milhões, ou 1,5%; farmácias e perfumarias faturaram R$ 38,9 milhões a mais, um aumento de 1,3%; lojas de departamentos aumentaram em 0,6% suas vendas, ou R$ 18,4 milhões a mais; e, por fim, aparecem as lojas de móveis e decoração, que aumentaram seu faturamento em R$ 6,1 milhões, ou 0,02%. Outros tipos de comércio varejista registraram avanço de 22,9%, um aumento de R$ 666,4 milhões nas vendas. 

Emprego e renda 

A geração de empregos e o aumento da renda da população foram os responsáveis pelo bom resultado do comércio varejista na região de Sorocaba, acredita o presidente da Acso, Nilton da Silva Cesar. "Sorocaba hoje, por conta das empresas, gerou muito emprego e também aumentou o poder aquisitivo das pessoas, o que fez crescer o consumo", diz. 

Sobre o segmento líder de vendas no ano passado, o de eletrodomésticos e eletrônicos, Cesar afirma que se deve ao impacto da Copa do Mundo no setor. "A Copa do Mundo vai trazer muitos benefícios para o comércio, com a vinda de estrangeiros", conta. A vinda de quatro seleções que irão participar do torneio para a região será importante, diz o presidente da Acso. "Cada seleção atrai duas mil pessoas, que vão ficar pela região", comenta.

Bombeiros encontram corpo de jovem em represa de Alumínio

Rapaz de 22 anos estava com dois amigos em um barco; que virou.

Soldados de Sorocaba (SP) e São Roque (SP) ajudaram nas buscas.

Do G1 Sorocaba e Jundiaí
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O Corpo de Bombeiros encontrou o corpo de um jovem de 22 anos, que havia desaparecido após cair na represa Itupararanga em Alumínio (SP), na madrugada deste domingo (30).
De acordo com as primeiras informações, ele estava com outros dois amigos em um barco, que acabou virando. Bombeiros de Sorocaba (SP) e São Roque (SP) participaram das buscas, a vítima foi encontrada a quatro metros da margem.
Ainda segundo os bombeiros, a represa tem em média 30 metros de profundidade. E é extremamente perigoso que as pessoas fiquem pelo local sem equipamentos de segurança.

Motociclista fica ferido após acidente em São Roque

Vítima foi levada para a Santa Casa de São Roque.

Causas do acidente serão investigadas.

Do G1 Sorocaba e Jundiaí
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Um motociclista ficou gravemente ferido após bater contra um carro na noite deste sábado (29), em São Roque (SP). O acidente foi na Rodovia Raposo Tavares, na região do bairro Marmeleiro.
Com o impacto, o motociclista foi arremessado na pista e teve diversos ferimentos. A frente do carro também ficou danificada na colisão.

A moto e o carro foram apreendidos para perícia e as causas do acidente serão investigadas.
O Corpo de Bombeiros de São Roque foi chamado e levou a vítima à Santa Casa da cidade em estado grave.
Motociclista foi levado para a Santa Casa (Foto: Stefane Miranda / São Roque Notícias  )Motociclista foi levado para a Santa Casa (Foto: Stefane Miranda / São Roque Notícias )

Piloto que pousou de barriga diz que não se sente herói

Folha de S. Paulo

O piloto Eduardo Verly, 45 anos, que fez um pouso de barriga no aeroporto de Brasília na última sexta-feira, disse ontem que não se sente um herói.
"Sei que as pessoas estão me achando herói, mas não me sinto um herói. Estava calmo, não pensei no pior.
Na última sexta-feira, o piloto conduzia um Fokker-100 da Avianca com 44 passageiros e outros quatro tripulantes que fez um pouso de emergência após uma falha impedir o trem de pouso dianteiro de baixar.
Aterrissar de barriga é uma manobra treinada. "Fazemos simulador duas vezes por ano, nos Estados Unidos. Fui em dezembro e treinei situações de emergência à exaustão. A gente treina para estar preparado", disse.
"Foi o pouso mais 'manteiga' [suave] da minha vida", disse Verly sobre seu primeiro pouso de emergência.

Diverticulite pode surgir com a chegada da terceira idade

William Cardoso

do Agora
A diverticulite é uma doença que pode surgir com o envelhecimento. Na maioria dos casos, o tratamento é baseado apenas em diminuir o desconforto causado pelos sintomas.
Segundo o gastroenterologista André Zonetti, do Hospital das Clínicas, existe uma confusão entre doença diverticular (ou diverticulose) e a diverticulite.
"O termo diverticulose é usado para descrever a presença de pequenas bolsinhas no cólon [que fica no final do intestino], os divertículos. Já o termo diverticulite aguda é usado para descrever a inflamação dessas bolsinhas (divertículos)", diz.

Sequestros migram de áreas nobres para a periferia de SP

William Cardoso

do Agora
Os sequestros têm migrado do centro expandido, onde está a maioria dos bairros nobres, para regiões mais periféricas da capital.
Em 2012, metade dos casos registrados na Polícia Civil como extorsão mediante sequestro ocorreu em bairros fora da região central. No ano passado, já eram quatro em cada cinco casos.
Responsável pela 1ª Delegacia da Divisão Antissequestro, o delegado Fábio Nelson Fernandes notou a mudança no perfil das vítimas.
"Não é mais a grande celebridade, mas o empresário que fez sucesso na periferia. Eles representam 80% dos casos. É raro envolver milionários.
Os 93 boletins de ocorrência sobre esse tipo de crime registrados nos distritos policiais da capital em 2013 trazem, além da modalidade tradicional (quando há pedido de resgate), também sequestros relâmpago.

PM: entrada das Forças Federais na Maré será definida esta semana

 Agência Brasil
Rio de Janeiro- As forças de segurança estadual e federal ocuparam em cerca de 15 minutos o Complexo de Favelas da Maré, em operação iniciada às 5h (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Balanço  parcial divulgado pela Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro indica que a ocupação do Complexo da Maré pelas forças de segurança resultou na prisão de 118 pessoas  Tânia Rêgo/Agência Brasil
A data de entrada das forças federais nas 15 favelas que integram o Complexo da Maré será definida ainda esta semana. A informação é do porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Cláudio da Costa, ao fazer um balanço parcial sobre os números da operação de ocupação.
As informações foram também antecipadas pelo secretário de Estado de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que mais cedo havia informado que  nesta semana as forças de segurança do estado vão se reunir com o Ministério da Defesa para definir um cronograma para o processo de ocupação efetiva do conjunto de favelas.

Foi apreendido farto material utilizado pelos traficantes que dominavam o complexo de 15 favelas, e que não conseguiram retirar drogas e armas antes da ocupação.
O primeiro balanço divulgado pela Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro indica que a ocupação do Complexo da Maré, nas primeiras horas da manhã de hoje (30), pelas forças de segurança resultou na prisão de 118 pessoas – 13 durante a ocupação e 105 no cerco que se formou na região durante o processo de ocupação.
O tenente-coronel Cláudio Costa, comemorou o sucesso da operação e falou sobre o número de prisões efetuadas. “Estamos muito satisfeitos, a operação foi um sucesso e em 15 minutos nós estávamos com a comunidade sob controle do estado. Isso foi o resultado do cerco montado na sexta-feira (21). Até o final do dia mais pessoas serão presas e armas e drogas apreendidas”, disse.
Ele lembrou que só a Polícia Federal apreendeu meia tonelada de maconha. “Gostaria de pedir mais uma vez a cooperação da população denunciando a localização de armas e drogas e até mesmo dos traficantes. Nós entramos na comunidade e entramos para ficar. A presença da polícia continuará com a instalação das unidades de Polícia Pacificadora”, obervou.
Desde o último dia 21, quando teve início o cerco da polícia ao Complexo do Alemão foram apreendidos duas metralhadoras, sete fuzis, 33 pistolas, dez revólveres, cinco espingardas, 18 granadas, além de farta munição para armas de diversos calibres.

Estudantes querem “praças da resistência” em toda a Venezuela

 Agência Brasil
Dezenas de estudantes declararam, nesse domingo (30), uma praça a leste de Caracas como "praça da resistência", onde leram um manifesto e pediram à população que reproduza a iniciativa em toda a Venezuela. Trata-se da Praça Alfredo Sadel, uma importante área de Las Mercedes, de classe média alta.
"Hoje, batizamos essa praça como 'Praça da Resistência", para mostrar a constância da nossa disposição inquebrantável de conquistar a liberdade", disse um dos estudantes ao ler o manifesto. "Instamos o povo a transformar esta praça em um centro de debate, organização, expressão e participação de todos os que decidam lutar até vencer. Que venham lutar junto dos que querem substituir este regime por outro de Justiça, liberdade e progresso", explica o texto.

O manifesto, que foi distribuído aos presentes, destaca que os jovens querem abrir caminho a uma geração que está decidida a ser livre e a construir essa liberdade. "Vamos nos levantar ainda que outros se rendam. Não pediremos licença para isso".
O documento informa que, nos últimos 15 anos, mais de 200 pessoas foram assassinadas na Venezuela e que a "insegurança, a escassez causada pela destruição da produção nacional, a entrega progressiva da riqueza e soberania a países ou potências estrangeiras, a corrupção, a supressão e coação progressiva da liberdade de expressão tornam inevitável a resistência democrática do povo".
Os estudantes "exigem" a liberdade de "todos os cidadãos, políticos e estudantes detidos injustamente" pelo Estado na sequência de mobilizações, "a cessação da impunidade e o desarme imediato dos 'grupos de terror' que têm atuado sob a coordenação evidente de alguns oficiais da polícia e da Guarda Nacional Bolivariana (Polícia Militar)". Exigem ainda que sejam investigados os 39 assassinatos ocorridos desde fevereiro no país e as denúncias de tortura.
Por outro lado, os estudantes convocam os venezuelanos "para uma luta firme e sem descanso" e apelam para que se organizem em assembleias populares e "rompam uma falsa polarização" política, acrescentando que se trata "da unidade do povo para lutar pelo que é justo para todos".
"Que sejam milhares as 'praças da resistência' em todo o país. Que esta não seja a única e que apenas seja o começo de uma nova história de liberdade", diz o manifesto.
Há seis semanas, são registrados diariamente protestos na Venezuela, com situações de violência que já causaram pelo menos 39 mortos, 81 denúncias de violações de direitos humanos e danos materiais.
O governo venezuelano insiste que está em curso um "golpe de Estado continuado" contra o presidente legitimamente eleito Nicolás Maduro.
O governo culpa a oposição pela violência e a oposição diz que a responsabilidade é do Executivo.

Documentos revelam pagamento extra da Petrobrás para sócia em Pasadena

Além da cláusula que obrigava repasse de 6,9% à Astra Oil mesmo que refinaria tivesse prejuízo, contrato de 2006 garantiu pagamento de US$ 85 milhões aos belgas a título de 'alocação especial', elevando o valor total do negócio para US$ 1,26 bilhão


Cláudia Trevisan, enviada especial a Houston, e Sabrina Valle - O Estado de S.Paulo
A Petrobrás pagou US$ 85,14 milhões à Astra Oil em fevereiro de 2007 para garantir à sua então sócia na refinaria e na trading de Pasadena um lucro mínimo com o negócio, atendendo à exigência do acordo de acionistas que as duas empresas haviam assinado no ano anterior. Com esse desembolso, o preço final que a estatal brasileira pagou pela operação do Texas sobe ainda mais - de US$ 1,18 bilhão para pelo menos US$ 1,265 bilhão.
O pagamento é confirmado em memorando da Astra à Receita Federal americana apresentado em um dos processos judiciais nos quais as duas empresas se enfrentaram. Com data de 19 de dezembro de 2008, ele tenta esclarecer dúvidas levantadas pelo auditor J. Clark Armitage sobre a natureza da transferência.
Os advogados da Astra respondem que o desembolso é um "pagamento garantido", que deveria ser feito pela Petrobrás à Astra quando a receita da empresa de trading que abastecia a refinaria de Pasadena ficasse abaixo de determinado patamar. Esse benefício seria pago por dois anos, no valor máximo de US$ 85,14 milhões em cada um deles, em um total de US$ 170,28 milhões.
Chamado de "alocação especial", esse dispositivo é distinto de outro que dava à sócia belga da Petrobrás uma rentabilidade mínima líquida com o negócio de 6,9% ao ano, por um período de 15 anos. Esse item ficou conhecido como "cláusula de Marlim", porque foi justificado com o argumento de que se tratava de uma compensação à Astra pelo fato de a Petrobrás poder refinar em Pasadena o óleo pesado que produzia no campo de Marlim, na Bacia de Campos, Rio de Janeiro.
O acordo de acionistas, no entanto, não prevê nenhuma contrapartida ou benefício para a Petrobrás em troca da "alocação especial" que a estatal teria de pagar à Astra em 2007 e 2008, tendo como base os resultados da trading dos anos anteriores. O documento diz que o "pagamento garantido" de 2008 dependeria das receitas obtidas em 2007 - não está claro se ele chegou a ocorrer nem qual o seu valor.
A "cláusula de Marlim" e a "alocação especial" que gerou o pagamento de US$ 85,14 milhões estavam entre as condições que tinham o objetivo de favorecer a sócia belga e protegê-la de riscos associados à operação. Na prática, era uma garantia de lucro mínimo que seria bancada pela estatal mesmo na hipótese de a receita bruta com as operações da trading ser insuficiente para a realização dos pagamentos.
"A quantia dessa alocação especial deve reduzir o montante dos lucros (ou aumentar o montante das perdas) que seriam de outra maneira alocados à sócia Petrobrás", diz trecho do item 4.3 do acordo de acionistas de setembro de 2006 que criou a trading de Pasadena, que era uma empresa distinta da refinaria.
No documento à Receita Federal americana, os advogados da Astra explicam que a estatal brasileira concordou em contribuir com "certas quantias" para o capital da trading, e que esses recursos seriam usados para os "pagamentos garantidos" que asseguravam à Astra a obtenção de lucro na operação independentemente do que acontecesse.
Mau negócio. A Petrobrás comprou metade da refinaria de Pasadena em 2006 por US$ 360 milhões. O negócio foi aprovado pelo Conselho de Administração da estatal, à época comandado por Dilma Rousseff, então chefe da Casa Civil do governo Lula.
Em 2005, a Astra havia pago US$ 42,5 milhões pela empresa, na qual investiu US$ 84 milhões antes da entrada da estatal brasileira no negócio. Em razão de outra cláusula polêmica do contrato, a Petrobrás foi obrigada a comprar os 100% da refinaria após uma longa disputa judicial.
Há duas semanas, Dilma afirmou ao Estado que só aprovou a compra da primeira metade da refinaria de Pasadena porque foi mal informada. Disse que o resumo técnico do negócio era "falho" e "incompleto".
O autor do resumo técnico criticado pela presidente foi Nestor Cerveró, então diretor da área internacional da Petrobrás, Cerveró deixou o cargo em 2008, quando a estatal brasileira iniciou o litígio com a sócia belga. Foi alocado numa diretoria da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás responsável pelos postos de gasolina da estatal. Após a declaração pública de Dilma sobre as circunstâncias da aprovação do negócio pelo Conselho de Administração em 2006, Cerveró foi demitido da BR Distribuidora.
Defensores. Além dele, o ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli e o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa eram entusiastas da compra da refinaria. Costa era do "comitê de proprietários" de Pasadena, uma instância de poder da refinaria que a atual presidente da Petrobrás, Graça Foster, disse desconhecer até a semana passada.
O ex-diretor de Abastecimento, que não estava mais na estatal, foi preso na semana passada sob suspeita de receber propina em contratos da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Em meio à polêmica, a oposição no Congresso articula a criação de uma CPI a fim de investigar as várias suspeitas envolvendo a companhia petrolífera. O grupo já tem assinaturas para abrir a comissão no Senado.
Já Graça Foster, sucessora de Gabrielli, determinou a abertura de uma investigação interna na Petrobrás para apurar todo o processo de compra de Pasadena. Os resultados da investigação serão apresentados em até 45 dias.
Pasadena era uma refinaria ultrapassada e sem capacidade para processar o óleo pesado produzido pela Petrobrás. O objetivo da estatal era reformá-la para que ela pudesse refinar o óleo extraído da Bacia de Campos, em especial do campo de Marlim.

IPCC: mundo está pouco preparado para impactos das mudanças climáticas

Planeta já sente as consequências do aquecimento e no futuro ameaças serão amplificadas, conclui relatório divulgado neste domingo


Giovana Girardi - Enviada especial a Yokohama, no Japão
Reunião do IPCC aconteceu nesta semana em Yokohama, no Japão - Yoshikazu Tsuno/AP
Yoshikazu Tsuno/AP
Reunião do IPCC aconteceu nesta semana em Yokohama, no Japão
Mudança climática não é um problema para o fim do século. Já está acontecendo agora, causando impactos ao ambiente e aos seres humanos em todos os continentes e através dos oceanos. Para o futuro, vai amplificar os riscos relacionados ao clima já existentes e criar novos riscos para os sistemas naturais e humanos. E, por enquanto, o mundo está muito pouco preparado para lidar com essa situação.
Em poucas palavras, esse é o quadro pintado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas  (IPCC) na segunda parte do seu quinto relatório, divulgado neste domingo, 30, à noite (horário de Brasília) em Yokohama, no Japão. 
A mensagem está presente no "Sumário para Formuladores de Políticas", uma introdução não-técnica do  documento de mais de 2 mil páginas e 30 capítulos, que trata dos impactos, adaptação e vulnerabilidade às mudanças climáticas.
Junto com a constatação de que o mundo já está pagando a conta pelas emissões desenfreadas de gases de efeito estufa a partir da Revolução Industrial, o relatório aponta que ainda há oportunidades para lidar com os riscos. Na maior parte dos casos, medidas sérias de adaptação, aliadas com outras para reduzir as emissões do planeta, podem fazer com que riscos que seriam de alto nível se nada for feito, caiam para um risco médio ou baixo.
No entanto, quanto mais tempo se levar para fazer isso, a dificuldade vai aumentar, assim como os custos. "Magnitudes crescentes de aquecimento aumentam a probabilidade de impactos severos, generalizados e irreversíveis", afirma o sumário.  E com o tempo vai se chegar a um limite em que talvez não haja mais o que fazer."A mensagem mais importante deste relatório é que gestão da mudança climática é um desafio de gerenciamento de riscos. Vemos uma ampla gama de possíveis resultados - alguns deles muito sérios. E também vemos as mudanças climáticas interagindo com outros fatores, muitas vezes agindo como um multiplicador dessas ameaças", disse ao Estado o pesquisador norte-americano Chris Field, co-chair do Grupo de Trabalho 2, do IPCC, que elaborou o documento.
"O problema real não é se teremos 2 °C ou 3 °C de aquecimento, mas se, uma seca, por exemplo, vai aumentar a propensão a incêndios que uma vez que começam acabam se estendendo por milhares de quilômetros quadrados. Enquadramos o desafio das alterações climáticas de uma forma a permitir que as pessoas entendam que é uma questão de gerenciamento de risco e de aplicar as ferramentas que já temos para fazer esta gestão de uma forma mais inteligente", complementa.
Field lembra que a adaptação não é uma tarefa exótica, que nenhum governo nunca tentou. O relatório ressalta várias experiências que estão sendo feitas ao longo do mundo, mas ainda em uma escala muito pequena, que precisa se expandir.
"Acho que está claro que em todo o mundo ainda não estamos preparado para o riscos que estamos enfrentando agora. Muito do desafio de lidar com a mudança climática é que as pessoas tendem a pensar que é necessário um passo gigante, que vamos fazer uma coisa e estaremos todos preparados, mas uma coisa que vem do relatório é que para lidar com a mudança do clima talvez sejam necessários 500 pequenos passos."
Dimensão humana. Os impactos já observados afetam a agricultura, a disponibilidade de água, a saúde humana, os ecossistemas no continente e nos oceanos e alguns modos de vida. Em geral, os problemas têm ocorrido em todo o mundo, sejam países ricos ou pobres, mas o grau de vulnerabilidade varia, normalmente sendo maior entre os mais marginalizados.
Ao longo do século 21, as mudanças climáticas podem "desacelerar o crescimento econômico, fazer com que a redução da pobreza seja mais difícil, erodir ainda mais a segurança alimentar, e prolongar as existentes e criar novas armadilhas da pobreza, particularmente nas áreas urbanas e pontos onde há muita fome". 
Este relatório, ao contrário dos anteriores do IPCC, teve um foco maior na "dimensão humana", explica Field. "Mais atenção sobre como as pessoas serão afetadas pode ajudar a garantir que elas saiam de uma condição de fome ou violência e tenham vidas mais confortáveis", diz.
A iniciativa foi bem recebida por ONGs ambientalistas que acompanharam os trabalhos na semana que passou. "Pela primeira vez o IPCC tem um capítulo inteiro sobre segurança humana, que fala sobre conflitos violentos, migração. As mudanças climáticas não são só um problema para ursos polares, recifes de corais e a floresta tropical, mas é sobre nós", afirma Kaisa Kosonen, do Greenpeace.
O relatório também traz de modo mais aprofundado a questão da segurança alimentar, que ajuda a compor esse quadro mais humano. No relatório de 2007, o IPCC colocava, por exemplo, a possibilidade de que em algumas regiões mais altas e mais frias poderiam se beneficiar se tornando mais aptas para a agricultura - o que talvez pudesse compensar as perdas em outras regiões. 
Agora o texto é claro em mostrar que o que já temos visto são somente os impactos negativos. E aponta também para a relação mais abrangente do problema, relacionado com o aumento de preços dos alimentos. "O documento reconhece que um clima mais extremo significa também que enfrentaremos os preços dos alimentos mais extremos", comenta Tim Gore, da ONG Oxfam. "A nova história dos impactos climáticos nos alimentos é que não é apenas sobre os pequenos produtores nos países pobres, mas como os grandes produtores exportam e os altos preços vão afetar milhões de pessoas nas áreas rurais e urbanas", complementa.

Adolescente morre após confronto entre facções no Complexo da Maré

O confronto entre as facções ocorreu na divisa das favelas Baixa do Sapateiro e Nova Holanda


Antonio Pita e Wellington Bahnemann - O Estado de S. Paulo

RIO - A Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro confirmou a morte de um menor 15 de anos, após um confronto entre duas facções no Complexo da Maré na tarde deste domingo, 30, mesmo após a ocupação do local pelas forças policiais. De acordo com informações da secretaria, o jovem, identificado como Vinicius Guimarães, já chegou morto à Unidade Pronto Atendimento (UPA) da Maré, para onde foi encaminhado.
O confronto entre as facções ocorreu na divisa das favelas Baixa do Sapateiro, dominada pela facção Terceiro Comando Puro, e Nova Holanda, controlada pelo Comando Vermelho. O conflito teve início após provocações entre os dois grupos e se transformou em uma guerra de pedras. O confronto acabou quando um jovem sacou uma arma e efetuou os disparos, provocando a morte de Vinicius.
Outros dois adolescentes ficaram feridos no confronto e foram encaminhados para o Hospital Federal de Bonsucesso. Um jovem de 13 anos foi baleado nas cotas, enquanto outro rapaz, de 16 anos, foi atingido na boca. A morte de Vinicius levou os moradores a realizarem um protesto, provocando o fechamento da Linha Vermelha, via que liga a Baixada Fluminense e a Ilha do Governador ao centro do Rio. O Batalhão de Choque deteve 27 pessoas, que foram encaminhadas para averiguações na 21ª Delegacia de Polícia, em Bonsucesso (RJ).
Ocupação. Cerca de 1,2 mil homens das Polícias Militar e Civil, com apoio de 21 blindados e 250 fuzileiros navais da Marinha, levaram 15 minutos para ocupar neste domingo, 30, o Complexo da Maré. A operação contou com quatro helicópteros, entre eles o blindado da PM, o Caveirão do Ar. A PM ficará no local até o próximo fim de semana, quando o controle passará ao Exército. Os militares vão ficar até o segundo semestre, quando serão inauguradas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na Maré. Segundo a Secretaria de Segurança, até o fim da tarde 13 pessoas foram presas. Com isso, chegou a 118 o número de presos desde 21 de março, quando começou a Operação Cerco, que preparou a ocupação.
A operação começou às 5h30 e não houve resistência. A tranquilidade não surpreendeu as autoridades. Os principais traficantes das facções que atuavam na região fugiram dias antes, apontam agências de inteligência. Três chefes do Comando Vermelho (CV) – facção que atua nas favelas Parque União, Parque Rubens Vaz, Nova Holanda e Parque Maré – estariam no Paraguai. Os fugitivos são Luciano Martiniano da Silva, o Pezão; Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto; e Luís Cláudio Machado, o Marreta. Clique aquipara ler reportagem completa.

Quinta e última fase do julgamento do Carandiru começa nesta segunda-feira

Nessa etapa, 15 policiais são acusados pela morte de oito detentos do complexo penitenciário; se condenados, podem somar mais 1.440 anos de prisão ao total das penas


Luciano Bottini Filho - O Estado de S.Paulo
Entidades de direitos humanos apontam falhas na punição dos réus e nas indenizações às vítimas - Monica Zarattini/AE
Monica Zarattini/AE
Entidades de direitos humanos apontam falhas na punição dos réus e nas indenizações às vítimas
Perto do fim do julgamento dos PMs acusados do massacre do Carandiru, entidades de direitos humanos apontam falhas na punição dos réus e nas indenizações às vítimas que podem reabrir o caso na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), levando o Brasil a ser processado na Organização dos Estados Americanos (OEA). Começa nesta segunda-feira, 31, a quinta e última fase do maior processo da história do júri no País. Nela são acusados 15 policiais do Comando de Operações Especiais (Coe), denunciados por oito mortes que poderão somar mais 1.440 anos de prisão à contabilidade de condenações. Somadas, as penas individuais do caso chegam ao recorde no júri de 20.156 anos de prisão para 58 PMs considerados culpados em três primeiros julgamentos.
O comandante da operação, o coronel Ubiratan Guimarães, foi absolvido pelo Tribunal de Justiça mesmo depois de ter sido condenado pelo júri. A invasão do Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo ocorreu em 2 de outubro de 1992. A operação da PM deixou 111 mortos. O processo já dura quase 22 anos e acumulou 130 volumes, 111 apensos e 50 mil páginas.
Em 2000, a CIDH publicou um relatório que recomendava o Estado brasileiro a indenizar as vítimas do Carandiru, entre outras providências, como condenar as autoridades envolvidas na ordem de invasão ao presídio. Como até agora a Justiça reconheceu o direito de apenas 64 ações, dentro 111 mortos e 87 feridos, ONGs como a Human Rights Watch e o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) avaliam se é a hora de reabrir o caso na Organização de Estados Americanos (OEA) e, até mesmo, processar o Brasil na corte internacional.
"Parte das recomendações da Comissão Interamericana foram descumpridas pelo Estado brasileiro", diz a diretora da HRW no Brasil, Maria Laura Canineu. Um dos sobreviventes que não foi indenizado é o pedreiro Luiz Carlos dos Santos Silva, de 45 anos. Ele não se conforma com o fato de, mesmo condenados, todos os PMs estarem soltos, inclusive os responsáveis pela tentativa de homicídio da qual foi vítima, com cinco tiros, três deles nas costas. 
"Não resolveram nada e eu não posso perder tempo com isso aí. Não adianta condenar e não ir preso. Entrei com indenização e não resolveu nada." No último júri, ele se negou a testemunhar. Mal sabia que sua falta significaria enterrar de vez todas as chances de receber uma indenização do Estado.
Como Silva saiu da cadeia em 1998, seis anos após o massacre, seu prazo para entrar com uma ação contra o Estado havia acabado. Porém, a condenação dos réus acusados de tentar matá-lo reabriria o prazo para Silva. O problema é que os PMs foram absolvidos pelo júri pelas tentativas de homicídio - provavelmente porque os jurados não ouviram a versão da vítima.
Segundo especialistas em Direitos Humanos, o Carandiru é um exemplo do descompasso entre o sistema internacional e a Justiça brasileira. Desde 2000, por exemplo, todos os 86 crimes de lesão corporal leve denunciados pelo Ministério Público foram consideradas prescritos. Resta apenas um caso de lesão corporal grave, que deve ir a júri também. Essas agressões entram dentro dos relatos de sobreviventes que tiraram as roupas e, nus, tiveram de rastejar encurralados por um corredor polonês formado por PMs.
Segundo a Promotoria, é impossível enquadrar esses crimes na Lei de Tortura, de 1997, que tornaria a imprescritível essa violência. Para a jurisprudência da OEA, no entanto, os crimes deveriam ser julgados mesmo assim. Foi esse o entendimento com relação às denúncias da Guerrilha do Araguaia, por exemplo. 
"A tortura é um crime contra a humanidade e é imprescritível. O Brasil, naquilo que diz respeito aos Direitos Humanos, está submetido à Corte Interamericana", explica o diretor da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil da Seccional de São Paulo (OAB-SP), Martim Afonso de Almeida Sampaio.