quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A lista completa dos 61 senadores golpistas. Jamais esqueceremos!

viomundo

31 de agosto de 2016 às 16h07

  
Traidores
SIM (a favor do impeachment)
Acir Gurgacz (PDT-RO)
Aécio Neves (PSDB-MG)
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
Alvaro Dias (PV-PR)
Ana Amélia (PP-RS)
Antonio Anastasia (PSDB-SP)
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
Benedito de Lira (PP-AL)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Cidinho Santos (PR-MT)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Cristovam Buarque (PPS-DF)
Dalirio Beber (PSDB-SC)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Dário Berger (PMDB-SC)
Edison Lobão (PMDB-MA)
Eduardo Amorim (PSC-CE)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
Fernando Collor (PTC-AL)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Gladson Cameli (PP-AC)
Hélio José (PMDB-DF)
Ivo Cassol (PP-RO)
Jader Barbalho (PMDB-PA)
João Alberto Souza (PMDB-MA)
José Agripino (DEM-RN)
José Aníbal (PSDB-SP)
José Maranhão (PMDB-PB)
José Medeiros (PSD-MT)
Lasier Martins (PDT-RS)
Lúcia Vânia (PSB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Marta Suplicy (PMDB-SP)
Omar Aziz (PSD-AM)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Pedro Chaves (PSC-MS)
Raimundo Lira (PMDB-PB)
Reguffe (sem partido-DF)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
Ricardo Franco (DEM-SE)
Roberto Rocha (PSB-MA)
Romário (PSB-RJ)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Ronaldo Caiado (DEM-GO)
Rose de Freitas (PMDB-ES)
Sérgio Petecão (PSD-AC)
Simone Tebet (PMDB-MS)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)
Telmário Mota (PDT-RR)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Vicentinho Alves (PR-TO)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Wellington Fagundes (PR-MT)
Wilder Morais (PP-GO)
Zezé Perrella (PTB-MG)
NÃO (contra o impeachment)
Angela Portela (PT-RR)
Armando Monteiro (PTB-PE)
Elmano Férrer (PTB-PI)
Fátima Bezerra (PT-RN)
Gleisi Hoffmann (PT-RR)
Humberto Costa (PT-PE)
João Capiberibe (PSB-AP)
Jorge Viana (PT-AC)
José Pimentel (PT-CE)
Kátia Abreu (PMDB-TO)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Otto Alencar (PSD-BA)
Paulo Paim (PT-RS)
Paulo Rocha (PT-PA)
Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
Regina Sousa (PT-PI)
Roberto Muniz (PP-BA)
Roberto Requião (PMDB-PR)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM

CUT: “GOLPE AFETARÁ PROFUNDAMENTE A VIDA DOS TRABALHADORES”

Alckmin antecipa como será arrocho trabalhista pós-golpe de 31 de agosto de 2016: tiro, porrada e bomba

viomundo

31 de agosto de 2016 às 11h51

  
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Da Redação, com fotos da Mídia Ninja e Jornalistas Livres
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, através de sua Polícia Militar, antecipou como será o arrocho econômico pós-golpe de 31 de agosto de 2016, formalizado hoje no Senado Federal.
A PM paulista usou tiros, porrada e bombas, muitas bombas, contra aqueles que pretendiam escrachar a sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e a sede do diário conservador Folha de S. Paulo.
A FIESP financiou o golpe de 2016. Uniu-se a eles combatendo qualquer aumento de impostos através de um pato de plástico plagiado. Abrigou um acampamento de militantes pró-impeachment.
Em 1964, a FIESP organizou o golpe cívico-militar. É acusada de ter feito um pagamento decisivo, em dólares, a um general que trocou de lado e impediu João Goulart de montar um esquema militar com chances de impedir a quartelada.
Folha de S. Paulo, através de editoriais, pregou a derrubada de Dilma Rousseff. Em 1964, fez oposição a Goulart. O proprietário, Octávio Frias de Oliveira, tramou o golpe com empresários. Quando o Brasil estava sob o ditador mais sanguinário, o de Garrastazu Médici, Frias chamou a ditadura de “respeitável”.
Apesar do clima de “expectativa” falsamente gerado pela mídia, o golpe de 2016 foi determinado no dia em que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, abriu o processo de impeachment.
Foi o que levou o PMDB a desembarcar do governo Dilma, retirando a base parlamentar que permitia a ela governar. Tudo o que aconteceu posteriormente foi apenas consequência disso.
A TV Globo foi a central do golpe. Como descrito no livro A Radiografia do Golpe, de Jessé Souza, criou através de seus programas jornalísticos o anti-Lula — na figura do juiz Sergio Moro. Como descrito no livro Golpe 16, a ser lançado em breve, a emissora promoveu as manifestações de rua fundamentais para criar o “consenso político” em torno da derrubada de Dilma.
A votação de hoje abre espaço para que um governo não eleito aplique medidas econômicas não aprovadas pelo voto popular.
Uma delas será o arrocho salarial.
Na prática, isso já começou.
No dia 6 de setembro os bancários devem entrar em greve nacional. Eles destacam:
Enquanto propõem perda real de 2,8% para a categoria bancária, os bancos praticam elevada política de remuneração para seus altos executivos. Em 2014 e 2015 os bancários tiveram ganho real acumulado de 2,1%, e a proposta atual faz a remuneração da categoria regredir mais de dois anos. A remuneração total anual média de um diretor executivo do Itaú, por exemplo, em 2016 será de R$ 12,5 milhões, no Santander R$ 7 milhões e no Bradesco R$ 5,3 milhões, de acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Um executivo do Itaú recebe anualmente 255 vezes o valor da remuneração anual de um escriturário, considerando salário, ticket refeição, alimentação e PLR. No Santander a diferença é de 145 vezes e no Bradesco 110 vezes. A proposta dos bancos foi de 6,5% de reajuste com R$3.000 de abono para os trabalhadores. O que representa perda real de 2,8% (de acordo com a inflação de 9,57%).
De acordo com o blogueiro Altamiro Borges, Michel Temer agora prepara um golpe trabalhista — e só terá sucesso com a repressão colocada à disposição dele por governadores como Geraldo Alckmin:
Judas Temer prepara o golpe trabalhista
Na quinta-feira (25), após participar do seminário comemorativo dos 75 anos da Justiça do Trabalho, no Rio de Janeiro, o “ministro” Ronaldo Nogueira informou à imprensa que o governo golpista vai enviar ao Congresso Nacional, “na primeira quinzena de dezembro”, a sua proposta de reforma das leis trabalhistas.
Na maior caradura, ele jurou: “Quero reiterar aqui, até para que não tenha nenhuma especulação por parte de alguns setores que são mal intencionados: direito você não revoga, direito você aprimora. Trabalhador não corre nenhum risco de perder direito”.
Será que algum “midiota” acredita nesta bravata do “ministro interino do Trabalho” e deputado federal do PTB gaúcho.
No documento “Ponte para o futuro”, também batizado de “pinguela para o inferno”, o Judas Michel Temer defendeu a “prevalência do negociado sobre o legislado” – o que significa a extinção total da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) -, a ampliação da terceirização para as atividades fins e a reforma previdenciária que eleve o tempo de aposentadoria.
As forças empresariais que financiaram o “golpe dos corruptos” também pregam a chamada “flexibilização trabalhista” — com o aumento da jornada de trabalho, o fatiamento das férias e o fim do 13 salário e de outros direitos. O presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) já chegou a falar em jornada de 80 horas semanais.
Já a mídia patronal está em plena campanha por uma reforma trabalhista “radical”.
A Rede Globo já produziu matérias marotas para criticar o “atraso” da legislação brasileira, que “emperra a produção” e “trava o crescimento econômico”. O oligárquico jornal Estadão, que sempre detestou a CLT, está excitado com a possibilidade de concretizar o seu velho sonho.
Em editorial publicado no início de agosto, a Folha decretou que a legislação trabalhista do país é “obsoleta e excludente”. Apesar de coro patronal, o “sinistro” Ronaldo Nogueira jura que “o trabalhador não corre nenhum risco”.
No evento, ele garantiu que o eixo da reforma trabalhista do covil golpista será “trazer segurança jurídica” às empresas. E afirmou em tom demagógico: “O trabalhador não será traído pelo ministro do Trabalho”.
Ele também adiantou “estamos trabalhado um novo marco regulatório da atividade sindical”, sem dar detalhes das propostas em estudo.
O boato que corre, porém, é de que o governo golpista pretende aumentar o controle sobre os sindicatos e redefinir os critérios para o seu financiamento.
A experiência mundial e brasileira demonstra que o neoliberalismo não combina com democracia — o que deve servir de alerta para os sindicalistas, inclusive para os traíram a sua classe!

Jornalista revela como sindicato patronal fez campanha pelo impeachment na mídia

viomundo

31 de agosto de 2016 às 22h10

  
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O pato era você, leitor
COMO AJUDEI A MANIPULAR OPINIÕES E VIABILIZAR O GOLPE
Peço desculpas por ter colaborado com essa sujeira, e quero me justificar dizendo que eu estava tentando trabalhar honestamente, que entrei em depressão nesse trabalho e (ainda bem!) fui demitido.
Foi entre julho de 2014 e junho de 2015 que trabalhei como jornalista, assessor de imprensa, repórter e ghostwriter do Sindhosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de SP) e Fehoesp (Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de SP) e lá ajudei a “aquecer o caldeirão” em que colocaram a democraticamente eleita presidenta Dilma Rousseff.
Um golpe começa assim: você reúne os interessados e vai “queimando o filme” da presidenta em várias frentes, culpando-a de tudo que for possível, usando as televisões, os jornais, as rádios e os portais da internet. Um dos interessados na queda de Dilma era o meu chefe, Yussif Ali Mere Jr., bem como seus colegas diretores do sindicato e da federação.
Assim, tive de escrever coisas que abomino, e quem assinava era o presidente, ou vice, ou algum manda-chuva de lá.
Consegui publicar as opiniões em jornais como “Folha”, “Estadão”, “Valor Econômico” e “O Globo”, entre outros.
Lembrando: eu era só um jornalista de uma pequena associação patronal.
Muitos outros estavam fazendo o mesmo por aí, no Brasil todo.
Exemplos: Fiesp, Fecomercio, Febraban etc…
PASSOS DA MANIPULAÇÃO
A) Desqualificar o alvo:
 “Mere Jr explicou que 2015 é “o ano do ajuste de contas”, visto que a presidente Dilma Rousseff não tomou as atitudes cabíveis na economia no passado”  — Ver aqui
— “Os dados do TCU confirmam (editorial “As Falhas do Mais Médicos“) o que já era sabido: o programa Mais Médicos, de forte cunho ideológico e que liga o atual governo à ditadura cubana dos irmãos Castro, foi feito às pressas às vésperas das eleições e tem caráter eleitoreiro.” — Ver aqui
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— “Em vez de leiloar ministérios para acalmar os ânimos dos partidos aliados – que de aliados não têm nada – o governo deveria anunciar as reformas políticas e ministeriais. Trocar favores, votos e cargos é uma barganha que faz mal à saúde.”
— “Parabenizo o economista Arminio Fraga, cujas palavras desnudaram a tese falaciosa da candidata Dilma Rousseff. Por mais que haja, no governo atual, malabarismos financeiros, a verdade sempre surgirá, pois os números não mentem. É preciso manter olhos e ouvidos atentos.” — Ver aqui
B) Impor a agenda de direita como se fosse solução para todos os problemas:
— “O texto revela o mal que centrais sindicais estão provendo nas relações de trabalho. Políticas de bondade não levam ao crescimento. O país só integrará o rol dos desenvolvidos quando melhorar a produtividade.” — Ver aqui
C) Ignorar assuntos desconfortáveis como a Lei-Anticorrupção, enviando um subordinado em seu lugar:
 “Marcelo Luis Gratão, gestor do Instituto de Ensino e Pesquisa na Área da Saúde (IEPAS), representou o presidente da FEHOESP e do SINDHOSP, Yussif Ali Mere Jr, no 1º Seminário Lei das Empresas Limpas com Foco na Área da Saúde.” — Ver aqui
D) Dar o tiro de misericórdia: 
“Junto com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e outras centenas de entidades, o SINDHOSP, a FEHOESP e seus sindicatos filiados estão apoiando a campanha pelo “Impeachment Já!” da presidente da República, Dilma Rousseff.“– Ver aqui
E) Celebrar:
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Dilma: “Pensam que nos venceram, mas estão enganados. Haverá contra eles a mais enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer”

31 de agosto de 2016 às 16h18

  
Pronunciamento da presidenta Dilma após aprovação do golpe parlamentar
Ao cumprimentar o ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva, cumprimento todos os senadoras e senadores, deputadas e deputados, presidentes de partido, as lideranças dos movimentos sociais. Mulheres e homens de meu País.
Hoje, o Senado Federal tomou uma decisão que entra para a história das grandes injustiças. Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição Federal. Decidiram pela interrupção do mandato de uma Presidenta que não cometeu crime de responsabilidade. Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar.
Com a aprovação do meu afastamento definitivo, políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça tomarão o poder unidos aos derrotados nas últimas quatro eleições. Não ascendem ao governo pelo voto direto, como eu e Lula fizemos em 2002, 2006, 2010 e 2014. Apropriam-se do poder por meio de um golpe de Estado.
É o segundo golpe de estado que enfrento na vida. O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurídica, me derruba do cargo para o qual fui eleita pelo povo.
É uma inequívoca eleição indireta, em que 61 senadores substituem a vontade expressa por 54,5 milhões de votos. É uma fraude, contra a qual ainda vamos recorrer em todas as instâncias possíveis.
Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis criadas a partir de 2003 e aprofundadas em meu governo, leve justamente ao poder um grupo de corruptos investigados.
O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, com o apoio de uma imprensa facciosa e venal. Vão capturar as instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo econômico e do retrocesso social.
Acabam de derrubar a primeira mulher presidenta do Brasil, sem que haja qualquer justificativa constitucional para este impeachment.
Mas o golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido. Isto foi apenas o começo. O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática.
O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido.
O golpe é contra o povo e contra a Nação. O golpe é misógino. O golpe é homofóbico. O golpe é racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito, da violência.
Peço às brasileiras e aos brasileiros que me ouçam. Falo aos mais de 54 milhões que votaram em mim em 2014. Falo aos 110 milhões que avalizaram a eleição direta como forma de escolha dos presidentes.
Falo principalmente aos brasileiros que, durante meu governo, superaram a miséria, realizaram o sonho da casa própria, começaram a receber atendimento médico, entraram na universidade e deixaram de ser invisíveis aos olhos da Nação, passando a ter direitos que sempre lhes foram negados.
A descrença e a mágoa que nos atingem em momentos como esse são péssimas conselheiras. Não desistam da luta.
Ouçam bem: eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer.
Quando o Presidente Lula foi eleito pela primeira vez, em 2003, chegamos ao governo cantando juntos que ninguém devia ter medo de ser feliz. Por mais de 13 anos, realizamos com sucesso um projeto que promoveu a maior inclusão social e redução de desigualdades da história de nosso País.
Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano.
Espero que saibamos nos unir em defesa de causas comuns a todos os progressistas, independentemente de filiação partidária ou posição política. Proponho que lutemos, todos juntos, contra o retrocesso, contra a agenda conservadora, contra a extinção de direitos, pela soberania nacional e pelo restabelecimento pleno da democracia.
Saio da Presidência como entrei: sem ter incorrido em qualquer ato ilícito; sem ter traído qualquer de meus compromissos; com dignidade e carregando no peito o mesmo amor e admiração pelas brasileiras e brasileiros e a mesma vontade de continuar lutando pelo Brasil.
Eu vivi a minha verdade. Dei o melhor de minha capacidade. Não fugi de minhas responsabilidades. Me emocionei com o sofrimento humano, me comovi na luta contra a miséria e a fome, combati a desigualdade.
Travei bons combates. Perdi alguns, venci muitos e, neste momento, me inspiro em Darcy Ribeiro para dizer: não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles.
Às mulheres brasileiras, que me cobriram de flores e de carinho, peço que acreditem que vocês podem. As futuras gerações de brasileiras saberão que, na primeira vez que uma mulher assumiu a Presidência do Brasil, a machismo e a misoginia mostraram suas feias faces. Abrimos um caminho de mão única em direção à igualdade de gênero. Nada nos fará recuar.
Neste momento, não direi adeus a vocês. Tenho certeza de que posso dizer “até daqui a pouco”.
Encerro compartilhando com vocês um belíssimo alento do poeta russo Maiakovski:
“Não estamos alegres, é certo,
Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado
As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,
Rompê-las ao meio,
Cortando-as como uma quilha corta.”
Um carinhoso abraço a todo povo brasileiro, que compartilha comigo a crença na democracia e o sonho da justiça.
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